Este é um retrato da crise que também se vive em Espanha. No dia em que o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, explica ao Parlamento o novo plano de reformas do Governo, conhecemos a história de uma família espanhola atingida pelo flagelo da crise.

Pai e mãe, José Luís Martin e Carmen, estão desempregados e o agregado, de quatro pessoas, passa dificuldades. São casos que se multiplicam um pouco por toda a Espanha, onde há 2 milhões de famílias em que todos os membros não têm emprego.

«Estamos desempregados há quatro anos, temos dois filhos. Não conseguimos encontrar trabalho. Não estamos a receber nenhuma assistência ou ajuda. Vivemos como vamos podendo», diz Carmen, de 41 anos.

Carmen e José Luis vivem em Ciempozuelos, uma cidade a 35 quilómetros de Madrid. São apenas uma entre os dois milhões de famílias espanholas em que todos estão desempregados.

«Somos uns quantos que estamos mal, na verdade mal. Não temos trabalho, estamos no desemprego, lutando dia a dia. Um dá-te uma pacote de lentinhas, outro dá-te um cigarro, outro... Sempre um pouco entre todos. Mas não é uma situação que possas dizer que vais conseguir sair. Não, nada», explica José Luís, 45 anos.

«Falamos de coisas básicas: poder pagar a luz, poder comer, poder dar os livros para a escola das criança. Não há subsídios, não há ajudas. cada vez mais desemprego, mais desemprego, mais desemprego e não sei...»

O filho mais velho, de 21 anos, desistiu da escola e também não consegue encontrar trabalho.

Estão agora em risco de perder o pequeno apartamento onde vivem. Caso não consigam pagar pelo menos uma pequena parte da hipoteca de 158 mil euros, vão ter de sair de casa. Sentem-se abandonados pela autarquia, pelo Estado.

O desemprego ultrapassou em abril a barreira dos seis milhões de pessoas. Mais de 27 por cento estão desempregados. É o valor mais alto de que há registo.
Redação / Patrícia Batista