O corpo da jornalista Viktoria Marinova, de 30 anos, foi encontrado à beira de um caminho na cidade de Ruse, no nordeste da Bulgária, desencadeando uma onda de revolta e solidariedade entre a população e promessas de intensa investigação por parte das autoridades do país.

As primeiras informações divulgadas sobre a morte de Marinova revelam que terá sido violada, agredida na cabeça e asfixiada.

O ministro do Interior da Bulgária, Mladen Mladenov, descreveu o assassínio como "excecionalmente brutal", confirmando que a repórter foi violada antes de morrer.

Já o procurador da cidade de Ruse, Georgi Georgiev, adiantou que telemóvel, chaves do carro, óculos e algumas roupas de Marinova não estavam no local quando seu corpo foi encontrado.

Não sendo claro que a morte de Marinova esteja relacionada com o seu trabalho jornalístico, as autoridades búlgaras prometem trabalhar rapidamente para identificar testemunhas e possíveis motivos para o assassinato.

O primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borisov, adiantou estar confiante de que "é uma questão de tempo" até que seja descoberto o culpado.

De acordo com a imprensa búlgara, no último ano, Marinova estaria a investigar uma suposta rede de corrupção no país envolvendo fundos da União Europeia para a estação televisiva TVN.

A equipa da TVN está vivendo uma dor enorme e intransponível com a perda de nossa querida colega, Victoria Marinova. Pedimos compreensão pela tristeza dos parentes e colegas", refere um comunicado da estação, segundo noticía o site da norte-americana CNN.

"Assassínio bárbaro"

A partir de Berlim, na Alemanha, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), em comunicado, exigiu às autoridades búlgaras que façam uma "investigação rigorosa e completa" sobre a morte de Marinova.

O CPJ está chocado com o assassínio bárbaro da jornalista Victoria Marinova. As autoridades búlgaras devem empregar todos os esforços e recursos para realizar uma investigação exaustiva e levar à justiça os responsáveis", frisou ainda o representante da organização na União Europeia, Tom Gibson.

Segundo o CPJ, o último trabalho de Marinova fora uma entrevista com os jornalistas Attila Biro, romeno, e o búlgaro Dimitar Stoyanov, que também investigavam acusações de fraude envolvendo fundos da União Europeia, sendo que estes dois repórteres terão sido detidos no passado mês de setembro.

Também Harlem Desir, representante da liberdade de imprensa na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) condenou o homicídio de Marinova no Twitter, dizendo que irá seguir de perto a investigação: "É preciso determinar rapidamente se está relacionado com o seu trabalho".

Viktoria Marinova é a terceira jornalista a ser assassinada no prazo de um ano na União Europeia. Daphne Caruana Galizia, que investigava o caso da Panama Papers, foi vítima de um carro-armadilhado em outubro, na ilha de Malta, enquanto Jan Kuciak foi assassinado na Eslováquia, em fevereiro.