O Supremo Tribunal italiano confirmou a condenação por abuso sexual de um homem que argumentou que os jeans da vítima impediram o ataque, relatou terça-feira a imprensa.

O mesmo tribunal causou escândalo, há uma década, ao determinar que era impossível violar uma mulher que usava jeans.

O Supremo Tribunal rejeitou segunda-feira um recurso apresentado por um homem de 37 anos, condenado por um tribunal de pequena instância por ter abusado sexualmente de uma adolescente. O homem alegou que teria sido impossível fazê-lo porque a alegada vítima estava sentada e usava jeans na altura.

O tribunal vincou que os jeans «não eram um cinto de castidade».

«O facto de a rapariga usar jeans não foi um obstáculo» para o homem de Pádua (cujo nome não foi divulgado) a tocar, determina a decisão do Supremo.

Em 1999, o mesmo Supremo rejeitara uma condenação por violação, afirmando ser impossível tirar à força os jeans de uma mulher caso ela resistisse. O caso, que suscitou indignação geral da direita à esquerda do espectro político em Itália, envolveu um instrutor de uma escola de condução e uma jovem de 18 anos.

O tribunal aceitara a defesa do réu de que é impossível tirar os jeans de alguém «sem a colaboração da pessoa que os usa» e que houve colaboração da mulher.
Redação / SM