O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Dominic Raab, afirmou numa reunião interna com trabalhadores que o Reino Unido também deve negociar acordos comerciais com países que violam os direitos humanos, revelou o site "HuffPost UK".

Acredito firmemente que devemos negociar livremente em todo o mundo”, terá afirmado Raab, de acordo com uma gravação da reunião obtida pelo site noticioso.

 

Se nos restringirmos a países com padrões de direitos humanos CEDH (Convenção Europeia sobre Direitos Humanos), não faremos muitos acordos com os mercados em crescimento do futuro", argumentou.

Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ao site que o áudio foi "editado deliberada e seletivamente".

De acordo com o "Huffpost UK", Raab vincou: "Não cortamos relações inteiras porque temos problemas, temos uma conversa porque tentamos mudar esse comportamento. Acho que estaremos numa posição melhor para fazer isso se estivermos dispostos a dialogar".

As palavras do ministro, que fazem manchete no Financial Times, foram criticadas pela ministra sombra dos Negócios Estrangeiros do Partido Trabalhista, Lisa Nandy.

Este é o exemplo mais recente de um Governo totalmente despojado de bússola moral e cheio de incoerências, sem problemas em dizer uma coisa em público e outra em privado”, disse a deputada.

A diretora da Amnistia Internacional no Reino Unido, Kate Allen, disse ao "HuffPost UK" que os chamados "mercados emergentes, países como Índia, Indonésia ou Brasil, são precisamente locais onde frequentemente a proteção dos direitos humanos é frágil e ameaçada”.

As declarações de Raab foram conhecidas depois de o Governo britânico divulgar, na terça-feira, o relatório da "Revisão Integrada", que avança com as prioridades de política externa, desenvolvimento e defesa até 2025.

No documento, o executivo assume que o “primeiro objetivo é apoiar sociedades abertas e defender os direitos humanos, como uma força para o bem no mundo”

Ao mesmo tempo, manifestou a intenção de aumentar as reservas de ogivas nucleares do teto anterior de 180 para 260, para combater "o espetro de ameaças" supostamente vindas da Rússia e do “desafio sistémico" que a China representa para a segurança do Reino Unido. 

/ CE