Um psicólogo russo, que cortou as mãos da mulher com um machado depois de a acusar de infidelidade, foi agora condenado a 14 anos de prisão.

De acordo com o relatório da polícia emitido em dezembro de 2017, data dos acontecimentos, Dmitry Gracheva levou a esposa, Margarita Gracheva, para uma floresta nos arredores de Moscovo, onde lhe começou a cortar os dedos com um machado até que ela admitisse uma suposta traição. Como Margarita negou as acusações, o homem cortou-lhe as duas mãos.

Dmitry Gracheva decidiu punir a mulher depois de Margarita lhe ter pedido o divórcio, na sequência de ameaças anteriores do marido. O homem pensou que a mulher o estava a trair depois de ter visto algumas mensagens de outro homem no telemóvel da esposa.

Eu pedi o divórcio após ele me ter acusado de traição quando viu mensagens de um colega meu no telemóvel”, afirmou Margarita Gracheva à BBC.

A mulher chegou a aceitar fazer um teste num detetor de mentiras para que o marido acreditasse nela, mas foi em vão.

Depois de cortar as mãos à mulher, Dmitry Gracheva levou-a para o hospital e foi depois à polícia confessar o que tinha feito.

A sentença foi conhecida esta quinta-feira e Dmitry vai agora cumprir 14 anos numa prisão de alta segurança na cidade Serpukhov, perto de Moscovo. O homem foi também condenado a pagar à mulher perto de 27 mil euros de indemnização por danos morais. Além disso, o tribunal retirou-lhe a custódia dos dois filhos que o casal tinha em comum.

Margarita Gracheva, de 26 anos, queria que o marido tivesse sido condenado a uma pena de prisão mais severa.

O melhor seria ele ter apanhado prisão perpétua, assim iria sentir-me mais segura. Mas nenhuma sentença trará as minhas mãos de volta. Vou ter de viver com isto para o resto da minha vida”, afirmou.

Os médicos conseguiram salvar apenas uma das mãos da vítima, numa operação que durou dez horas. Margarita Gracheva tem agora uma prótese para substituir a mão direita, que não pôde ser reconstruída.

A jovem já tinha feito queixa às autoridades depois de o marido a ter ameaçado com uma faca, uns meses antes do ataque. Desesperada, Margarita Gracheva telefonou para as autoridades. Enciumado, o marido tinha acabado de lhe colocar uma faca ao pescoço e ameaçá-la de morte. Nenhum polícia apareceu. Telefonaram-lhe de volta 18 dias depois e só para propor uma conversa com o homem, sem oferecer qualquer à mulher. A conversa não surtiu efeito. Dois meses depois, o marido, pai dos filhos de Gracheva, cortou-lhe as duas mãos com um machado.

De acordo com um relatório da Human Rights Watch, as mulheres russas estão bastante vulneráveis à violência doméstica, após o Parlamento russo ter reduzido o valor da fiança a ser paga e o número de anos de prisão para os agressores.

Margarita Gracheva é uma dos 16 milhões de russas que sofrem violência doméstica por ano no país onde 1.370 mulheres, por hora, são agredidas pelos maridos. Na Rússia, só não é permitido partir os ossos da mulher e repetir a violência mais do que uma vez por ano. Está na lei: se a mulher ou as crianças não precisarem de ser hospitalizadas, o agressor pode dormir tranquilo.

Entre todos os crimes registados na Rússia, 40% são cometidos por maridos ou familiares próximos. Os dados são da domesticViolence.ru, organização formada por ativistas e advogadas russas. E esses números  são subestimados, já que só 10% das mulheres nunca chegam a apresentar queixa.