O presidente da Visabeira Moçambique disse esta sexta-feira à Lusa que para que sejam repostos o nível de serviço e infraestruturas de telecomunicações existentes antes do ciclone Idai no país serão necessários pelo menos cinco meses de trabalho intenso.

De acordo com António Jorge Costa, a empresa tem no terreno 200 pessoas a trabalharem desde segunda-feira para reporem a normalidade das telecomunicações nas zonas afetadas pelo ciclone, nomeadamente na cidade da Beira.

O responsável estima que até sábado possa ser resposta a normalidade das telecomunicações na Beira se as condições climatéricas ajudarem aos trabalhos no terreno, mas considera que para recuperar tudo que foi destruído em Moçambique pelos ventos fortes e inundações "um ano é capaz de ser curto".

O grupo Visabeira, com investimentos de 700 milhões de euros em Moçambique, país onde fatura 100 milhões de euros por ano, opera no mercado moçambicano essencialmente nas áreas das telecomunicações, energia, turismo e construção.

O grupo é um dos maiores empregadores em Moçambique, com cerca de 3.000 trabalhadores no país.

António Jorge Costa disse que ainda está a fazer o levantamento dos danos causados pelo Idai e só espera concluir o processo na próxima semana. Porém, o valor contabilizado até agora já vai em vários milhares de euros.

Depois, "é preciso esperar que a água desapareça para se ter uma perspetiva mais clara da dimensão dos danos", alerta o português nascido em Maputo e com infância e adolescência passada na cidade da Beira.

Mas, para o gestor "tudo é recuperável, menos as vidas humanas". Por isso, considera que com "trabalho, seriedade e a acreditar no futuro Moçambique vai recuperar" de toda a situação que atravessa.

Segundo António Jorge Costa, nos primeiros dias a prioridade foi salvar vidas, depois é preciso repor infraestruturas, telecomunicações, energia e vias de acesso e a seguir estabelecer prioridades para dar resposta às necessidades.

Na opinião do gestor, a prioridade tem de ir para a agricultura, porque a retoma da produção agrícola é essencial para as populações.

As ajudas internacionais são, porém, muito necessárias para que as autoridades possam responder às necessidades do povo moçambicano, considerou.

Mas julgo que isso vai acontecer, pelo que se está a ver", e não vai faltar, considerou.

Quanto à Visabeira em Moçambique, após os danos causados pelo ciclone, vai trabalhar, como sempre fez naquele mercado, assegurou.

Cerca de 500 moçambicanos fugiram para os países vizinhos

Cerca de 500 moçambicanos fugiram para os países vizinhos devido à devastação provocada pelo ciclone Idai, estando a decorrer uma avaliação sobre a situação em que se encontram, referiu hoje fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

"Há escassez de dados exatos, as pessoas refugiaram-se e levam muito tempo para se apresentarem às autoridades, mas estima-se que o número será por aí, em torno das 500 pessoas", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Geraldo Saranga, falando em conferência de imprensa em Moçambique.

O Zimbabué, Maláui e Zâmbia são os países que acolheram moçambicanos que fugiram do ciclone Ida, acrescentou o porta-voz.

"É de esperar que tenhamos pessoas no Zimbabué, Maláui e Zâmbia, pela proximidade geográfica com as províncias do país afetadas pelo ciclone", acrescentou Geraldo Saranga.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique assinalou que as missões diplomáticas e consulares moçambicanas nos três países foram instruídos no sentido de avaliarem a situação em que se encontram os moçambicanos que fugiram do Idai, visando articular com os respetivos governos a prestação de assistência humanitária.

Geraldo Saranga adiantou que o número de moçambicanos que fugiram para os países vizinhos poderá variar, à medida que for feito um levantamento mais exaustivo.

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai é de 596 mortos, dos quais 281 em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui.

O ciclone afetou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afetadas pelo ciclone, na noite de 14 de março, e a ONU alertou que 400.000 pessoas desalojadas necessitam de ajuda urgente, avaliada em mais de 40 milhões de dólares (mais de 35 milhões de euros).

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

As organizações envolvidas nas operações de socorro e assistência humanitária têm alertado para o perigo do surto de doenças contagiosas.

/ BM