O Presidente russo, Vladimir Putin, autorizou diretamente ações para beneficiar o ex-Presidente dos EUA Donald Trump na sua tentativa de reeleição, em novembro passado, revela um relatório dos serviços de informações norte-americanos já rejeitado pelo Kremlin.

O relatório, que foi agora desclassifico, revela que o Kremlin e o Governo iraniano tentaram ajudar Trump a derrotar o adversário democrata Joe Biden, nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

O texto mostra que houve uma tentativa por parte dos governos russos e iraniano em minar a confiança nos resultados das eleições presidenciais norte-americanas, bem como em difamar Joe Biden.

O documento diz ainda que Vladimir Putin deu autorização direta a algumas operações que visavam difamar a imagem do candidato democrata e agora Presidente, Joe Biden.

Para além dessas tentativas, porém, os serviços de informações não encontraram “nenhuma indicação de que algum agente estrangeiro tenha tentado interferir nas eleições de 2020 nos Estados Unidos, alterando qualquer aspeto técnico do processo de votação, incluindo registo de eleitores, votação, tabulação de votos ou relatórios de resultados”.

Moscovo já reagiu a este relatório, negando as acusações de interferência nas eleições norte-americanas.

Este relatório está incorreto, é muito infundado e não apresenta provas”, disse hoje Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

 

A Rússia não interferiu nas eleições anteriores (de 2016, que deram a vitória a Trump) e não interferiu nas eleições de 2020 (que deram a vitória a Biden)”, esclareceu Peskov.

Para o porta-voz do Kremlin, este relatório é um pretexto para “colocar a questão de novas sanções contra a Rússia na agenda política”, referindo-se às medidas punitivas que os Estados Unidos têm tomado contra Moscovo, por causa da anexação da Crimeia, em 2014, e pelos apelos a que a comunidade internacional sancione o Governo russo por causa da prisão do líder da oposição, Alexei Navalny.

O relatório, que lança acusações sobre o comportamento da Rússia e do Irão, esclarece ainda que a China não interferiu no processo eleitoral de novembro passado.

Os peritos dizem que Pequim preferiu estabelecer um relacionamento estável com Washington, não considerando nenhum dos candidatos presidenciais como preferencial e, portanto, optando por se manter neutral na corrida eleitoral nos EUA.

Já sobre a Rússia, o relatório diz que procurou prejudicar a campanha de Joe Biden, que considerou ser oposta aos interesses do Kremlin, e que Putin autorizou operações de influência destinadas a denegrir a imagem do candidato democrata e beneficiar a do candidato republicano, Donald Trump, minando a confiança no resultado das eleições.

O Kremlin terá mesmo usado figuras próximas de Trump para lançar suspeições sobre Joe Biden, de acordo como o relatório, que não aponta a identidade desses agentes difamatórios.

O relatório diz ainda que as operações cibernéticas russas que visaram agências governamentais dos EUA, no ano passado, não se focaram nas eleições presidenciais, antes constituindo parte de um plano mais vasto para atingir organizações norte-americanas.

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