A cimeira G7, que começa na sexta-feira na Cornualha, sudoeste de Inglaterra, deverá resultar numa maior transparência sobre a produção e exportação de vacinas contra a covid-19, defendeu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. 

Numa conferência de imprensa em Bruxelas em conjunto com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a responsável disse que a questão da saúde global e do acesso equitativo a vacinas vai ser um dos temas chave do encontro. 

“Desde o início assegurámos que vacinação doméstica avança ao mesmo tempo que exportações para o resto do mundo”, reivindicou, vincando que, das 700 milhões de doses produzidas na União Europeia (UE) desde dezembro, cerca de 350 milhões doses foram exportadas para mais de 90 países. 

Há algumas semanas convidei outros [líderes] a praticar mais abertura e fico satisfeita por ver que o rascunho do comunicado [final do G7] vai refletir isso”, acrescentou. 

Afirmou também serem “encorajadoras” as notícias de que o Presidente norte-americano Joe Biden vai anunciar na cimeira a compra de 500 milhões de doses da vacina Pfizer para entregar a cerca de 100 países nos próximos dois anos, 200 milhões dos quais ainda em 2021. 

Segundo von der Leyen, mais de 50% população adulta europeia recebeu pelo menos a primeira dose de uma vacina e 100 milhões de europeus estão totalmente vacinados. 

No entanto, os países mais desenvolvidos têm sido criticados por reterem a maioria das vacinas produzidas e por darem prioridade aos seus próprios cidadãos, atrasando a vacinação no resto do mundo. 

De acordo com dados do portal “Our World in Data”, da Universidade de Oxford, só 12% da população mundial foi inoculada com uma primeira dose e em África é apenas de 2%.

Além do combate e recuperação da pandemia covid-19, o G7 também deverá discutir questões de política externa, alterações climáticas, apoio ao desenvolvimento, nomeadamente de apoio à educação de raparigas afetadas pelo encerramento de escolas durante a crise pandémica. 

As situações na Bielorrússia e Etiópia e as relações com a China e Rússia deverão ser abordadas, disseram os dirigentes europeus.  

“Estamos muito ansiosos por este G7, de novo finalmente com países que partilham os mesmos valores, que partilham os mesmos interesses e a mesma forma de ver o mundo”, disse von der Leyen, numa referência às divergências geradas pelo anterior presidente dos Estados Unidos Donald Trump.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, defendeu a importância de "demonstrar que as sociedades liberais democráticas são as mais bem preparadas” para vencer a pandemia covid-19 e lutar contra as alterações climáticas enquanto promovem prosperidade económica. 

“O mundo manteve-se suspenso por esta pandemia, mas a cooperação internacional reforçou-se e intensificou-se significativamente e isso vai ver-se nos nos próximos dias”, enfatizou. 

A cimeira do G7 decorre presencialmente na Cornualha, sudoeste de Inglaterra, entre sexta-feira e domingo, juntando dirigentes dos países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) e da União Europeia. 

Sob a presidência rotativa do Reino Unido, para esta edição foram convidados o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os líderes da Austrália, África do Sul, Coreia do Sul e Índia, mas este último vai intervir por videoconferência.

/ RL