O presidente russo, Vladimir Putin, responsabilizou diretamente os Estados Unidos por estarem na origem do vírus que desencadeou o ciberataque mundial, iniciado na sexta-feira, argumentando que o WannaCry foi produzido pelos serviços secretos norte-americanos.

A acusação foi festa esta segunda-feira, durante uma conferência de imprensa, onde Putin assegurou que nada tinha a ver com o vírus WannaCry e adiantou mesmo que foram as agências de inteligência dos EUA a usar essas técnicas de infiltração.

A Microsoft disse-o directamente: a fonte inicial deste vírus foram as agências de segurança dos Estados Unidos. A Rússia não tem nada a ver com isso.Dada esta informação, é estranho ouvir qualquer outra justificação," sublinhou Putin esta segunda-feira, citado pelo jornal norte-americano The Washington Post.



De acordo com o jornal britânico The Telegraph, o software malicioso ("malware") usado nestes incidentes terá sido desenvolvido pela agência de segurança nacional norte-americana, a NSA, para explorar vulnerabilidades e infiltrar-se em computadores de terceiros. A ferramenta terá sido depois roubada à agência e disseminada por um grupo denominado Shadow Brokers. Suspeitava-se que a Rússia pudesse estar a apoiar o grupo. No entanto, não surgiu nenhuma evidência que sustentasse essa suspeita.

No domingo, a tecnológica norte-americana Microsoft considerou que a responsabilidade pela vulnerabilidade dos sistemas atacados mundialmente cabe aos governos e que o incidente é um "sinal de alarme".

Os governos do mundo devem tratar este ataque como um sinal de alerta. (…) Precisamos que ponderem o perigo que advém para os civis de acumular estas vulnerabilidades e o uso destes comandos que tiram partido de falhas", escreveu o presidente da Microsoft, Brad Smith, num blogue da empresa.

Em março, a Microsoft desenvolveu uma patch, ou "remendo", para esta vulnerabilidade, mas que não foi atualizada em vários sistemas, expondo-os ao ataque dos últimos dias.

Especialistas em cibersegurança dizem que os hackers desconhecidos que lançaram o ciberataque na sexta-feira serviram-se da vulnerabilidade que foi exposta em documentos da NSA divulgados online devido a uma fuga de informação.

O vírus WannaCry aproveita-se de uma vulnerabilidade do Windows para encriptar os dados de um computador, sendo posteriormente exigido aos utilizadores um pagamento em bitcoins para em resolver o problema.

O ciberataque da última sexta-feira atingiu hospitais no Reino Unido, grandes empresas em França e Espanha, a rede ferroviária na Alemanha e universidades na China, mas a Rússia foi o país mais afetado. A segunda vaga de ataques começou já na madrugada desta segunda-feira. Na Ásia, vários governos e empresas confirmaram o ataque.