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O Pentágono revelou que o principal suspeito de ter entregue os documentos sobre a guerra do Afeganistão divulgados pelo site WikiLeaks é um militar que se encontra detido.

A página electrónica - que se dedica a recolher e divulgar dados sensíveis sobre estados e grandes empresas, de forma anónima - facilitou milhares de páginas aos jornais norte-americano «The New York Times» e ao britânico «The Guardian», assim como à revista alemã «Der Spiegel».

A Casa Branca descreveu este acto como criminoso, por colocar, potencialmente, em perigo, os militares que se encontram no terreno.

De acordo com a CNN, o Pentágono suspeita que a fuga das informações para o WikiLeaks teve origem no soldado Bradley Manning.

A cadeia televisiva noticiosa salienta que Manning é suspeito de ter acedido a um sistema militar de correio electrónico e Internet do qual descarregou dezenas de milhar de documentos.

Este sistema, chamado Secret Internet Protocol Router Network, contém material classificado em diversos níveis e só pode ser acedido por militares autorizados.

Responsáveis do Pentágono salientaram que os documentos divulgados pelo WikiLeaks, até agora, estavam todos classificados como «secretos», o que no sistema se trata de um nível relativamente baixo e que está acessível a um alargado grupo de pessoal.

Bradley Manning encontra-se sob custódia no Koweit, depois de ter sido acusado, em Junho, de oito violações do Código Criminal dos EUA.

Em causa está a suspeita de transferência de material classificado, entre o qual se encontra um vídeo divulgado anteriormente pela WikiLeaks, filmado durante operação no Iraque, perto de Bagdad.

A CNN refere que o soldado tem recusado colaborar com as autoridades, negando-se a revelar os contactos que terá feito relacionados com este tema. Mas, neste momento, está em curso uma investigação para determinar se estão mais pessoas envolvidas nestas fugas de material militar sensível.

Nas milhares de páginas, que dizem respeito ao período de guerra entre Janeiro de 2004 e Dezembro de 2009, o cenário apresentado é mais cru do que o traçado pelo governo dos EUA.

Há relatos de episódios de grande violência, alguns deles que envolvem potenciais crimes de guerra, como a morte de civis.

Há ainda indicações que levam a suspeitar de ligações entre os serviços secretos do Paquistão (um aliado dos EUA) e os talibã, inclusivamente na assistência a ataques contra militares da coligação da NATO no Afeganistão.