Chelsea Manning foi novamente presa esta quinta-feira à noite depois de ter voltado a recusar prestar testemunho perante um grande júri em tribunal.

A antiga militar afirmou ao juiz Anthony Trenga, de um tribunal federal em Alexandria, na Virginia, que prefere “morrer à fome” do que prestar testemunho.

Manning já tinha recusado cooperar com a justiça norte-americana há cerca de dois meses, tendo acabado presa 62 dias, 28 dos quais numa solitária, num centro de detenção de Alexandria. Foi libertada a 10 de maio, quando expirou o mandato do grande júri, mas, na altura, a sua defesa já tinha avisado que a posição da antiga militar não ia mudar.

Chelsea vai continuar a recusar testemunhar e usará toda a defesa legal disponível para provar (...) que a sua recusa tem justa causa", divulgou a defesa, em comunicado.

Agora, ao voltar a recusar testemunhar, a norte-americana arrisca passar 18 meses na prisão. Mais, Manning poderá ter de pagar uma multa pesada: se permanecer na cadeia mais de 30 dias, terá de pagar 500 dólares (cerca de 440 euros) por cada dia a mais na prisão; ao chegar aos 60 dias na cadeia começará a ser aplicada uma multa de 1000 dólares (cerca de 890 euros) por dia.

Manning foi condenada em 2013 a 35 anos de prisão por remeter mais de 700 mil documentos confidenciais sobre as guerras no Iraque e Afeganistão para a Wikileaks. Passou sete anos na prisão antes de a pena ter sido comutada pelo então presidente, Barack Obama.

Não se sabe sobre que temas a justiça norte-americana quer ouvir Manning, mas pensa-se que terá a ver precisamente com a investigação de longa duração sobre a atividade da Wikileaks.

O testemunho de Manning pode ser importante para levar Julian Assange, o fundador da Wikileaks, a julgamento. Assange é acusado de conspirar, com Manning, para aceder a um vasto leque de segredos de Estado norte-americanos através de computadores militares.

Assange foi detido pela polícia inglesa a 11 de abril depois de a embaixada do Equador em Londres, onde esteve sete anos, lhe ter retirado o asilo. O pedido de asilo, feito em 2012, tinha como objetivo evitar a extradição para a Suécia, onde as autoridades investigavam alegadas práticas de crimes sexuais contra duas mulheres.

Depois da sua detenção, a polícia do Reino Unido informou que o ativista australiano foi alvo de um mandado de extradição em nome das autoridades dos Estados Unidos.