O governador da província chinesa de Hubei, de onde o novo coronavírus que matou 171 pessoas é originário, reportou esta quinta-feira "grave escassez" de meios médicos para lidar com o surto.

Segundo a cadeia televisiva estatal CCTV, Wang Xiaodong destacou a gravidade do surto em Huanggang, a segunda cidade de Hubei a ser colocada sob quarentena depois de Wuhan, a capital da província.

Com cerca de 7,5 milhões de habitantes, Huanggang fica a 76 quilómetros de Wuhan, e reportou já 496 casos de pneumonia causada pelo coronavírus e 12 mortes.

Um hospital dedicado ao tratamento da doença foi aberto em Huanggang na terça-feira, e Wang prometeu que o governo regional não permitirá que a cidade se torne na "segunda Wuhan", que é o epicentro da doença.

Um funcionário da saúde em Huanggang citado pela CCTV indicou que os suprimentos médicos no (...) hospital dão apenas para um dia de trabalho. "Não podemos receber pacientes sem máscaras e fatos de proteção. Eles estão quase esgotados e não temos como os comprar", acrescentou.

Alguns dos nossos médicos estão a usar capas de chuva e sacos de lixo descartáveis para se protegerem", descreveu.

A agência noticiosa oficial Xinhua informou hoje que o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, sublinhou a necessidade de garantir equipamento médico para combater a pneumonia viral.

O ministério da Indústria e Tecnologia de Informação da China indicou hoje que a falta de máscaras se deve em parte ao aumento da procura, numa altura em que a China - que fabrica 50% das máscaras no mundo - está a produzir oito milhões de unidades por dia.

Entre os planos para garantir o fornecimento está o aumento da produção e banir as exportações de máscaras e aumentar a importação.

Segundo os dados oficiais mais recentes, quase 60% dos mais de 7.700 casos confirmados até agora em todo o país ocorreram na província de Hubei, onde foram registadas 162 das 171 mortes devido à doença.

Além do território continental da China, foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos da América, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália, Canadá, Alemanha, França (primeiro país europeu a detetar casos), Finlândia e Emirados Árabes Unidos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) convocou para esta quinta-feira o Comité de Emergência para determinar se este surto vírico deve ser declarado uma emergência de saúde pública internacional.

/ CE