O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, admitiu que a sua tese universitária “deveria ter sido feita de forma diferente”, depois de uma investigação dos meios de comunicação ter concluído que apenas duas das 56 páginas do seu trabalho não tinham sido plagiadas.

Um jornal local descreveu o texto como uma “impressionante mistura de passagens copiadas, que não cumpre os requisitos da academia”.

Xavier Bettel, que é primeiro-ministro desde 2013, explicou que a sua tese já tinha “mais de 20 anos” e que foi escrita de “consciência tranquila”. Mas, reconheceu que “do ponto de vista de hoje, poderia tê-la feito de forma diferente".

O primeiro-ministro luxemburguês diz ter plena confiança na Universidade da Lorena, no leste da França, que avaliou o seu trabalho e que aceitaria “naturalmente” qualquer decisão, mesmo que isso significasse que a sua qualificação fosse retirada.

Esta dissertação foi realizada no âmbito de um diploma avançado- mais ou menos o equivalente a um mestrado- em direito público e ciência política, no mesmo ano em que entrou para o Parlamento.

Os meios de comunicação relatam ainda que apenas “alguns parágrafos da introdução" e da "conclusão igualmente curta" não tinham sido copiadas.

Ao todo terão sido retiradas 20 páginas completas diretamente do site do Parlamento Europeu, fazendo uma clara violação dos direitos de autor. Outras nove foram retiradas de um relatório de 1998 de um deputado grego.

O plágio que encontrei é muito problemático porque longas passagens foram transferidas quase palavra por palavra. Não se pode copiar acidentalmente várias páginas", afirmou Anna-Lena Högenauer, professora de ciências políticas na Universidade do Luxemburgo, ao jornal local Outlet.

O cientista político Nicolas Sauger confirmou que a tese de Xavier Bettel era pouco original e mal investigada e que o plágio “era demasiado extenso para ser razoável”.

O antigo supervisor do primeiro-ministro, Etienne Criqui, defendeu que os padrões eram diferentes na altura, antes da invenção do software de deteção de plágio.

Esta não é a primeira vez que um escândalo desta envergadura aparece no campo político europeu. Em maio, a ministra alemã Franziska Giffey foi obrigada a demitir-se por ter plagiado parte da sua tese de doutoramento.

Redação / IC