O namorado do polícia que foi abatido a tiro em Paris, em abril, casou com o companheiro a título póstumo. A cerimónia, que ocorreu esta terça-feira, contou com a presidente da câmara de Paris, Anne Hidalgo, e o antigo presidente François Hollande.

O polícia Xavier Jugelé, de 37 anos, foi baleado mortalmente por um homem quando estava de serviço nos Campos Elísios, a 20 de de abril. O atacante foi abatido a tiro pela polícia, após o ataque que foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Jugelé era homossexual e um ativista dos direitos da comunidade LGBT. Quem o conhecia, descrevia-o como "um homem simples", que "gostava do seu trabalho" e que era empenhado na defesa dos direitos dos homossexuais.

Cinco dias depois do crime que abalou o país, o polícia foi homenageado pelos familiares e amigos numa cerimónia com figuras de Estado como o então presidente francês, François Hollande. 

Nessa cerimónia, o namorado, Etienne Cardiles, fez um discurso emocionado que comoveu o mundo. O homem deixou uma mensagem de paz, frisando que os assassinos de Jugelé não teriam "o seu ódio".

"Não tenho ódio porque isso não era o que fazia o teu coração bater nem o que te fez ser um guardião da paz", vincou. 

Agora, praticamente um mês depois do ataque, Cardiles decidiu casar com o polícia a título póstumo. Segundo o jornal Le Parisien, a cerimónia ocorreu no 14.º bairro de Paris e contou com a autarca da capital, Anne Hidalgo, e François Hollande.

O casamento a título póstumo é permitido em França nos casos em que há "motivos graves" (os atentados enquadram-se neste contexto) e uma vontade "inequívoca" do falecido. A autorização para o casamento é dada pelo presidente do país, através de um decreto.

Jugelé foi o quinto polícia a morrer em ataques terroristas em território francês, desde janeiro de 2015. François Hollande condecorou-o, a título póstumo, como cavaleiro da Legião de Honra francesa.