A China manteve o surto de Covid-19 em segredo durante seis dias. A agência noticiosa Associated Press (AP) revelou o conteúdo de vários documentos que indiciam que o vírus foi mantido em segredo da população durante seis dias.

No dia 14 de janeiro, altura em que foi detetado o primeiro caso de infeção pelo novo coronavírus na Tailândia, o ministro da Comissão Nacional de Saúde da China avisou vários responsáveis, entre eles o presidente, Xi Jinping, para o possível cenário de pandemia através de uma videoconferência.

Mas o presidente da China só alertou a população para a gravidade do vírus no dia 20 de janeiro, seis dias depois e nessa altura mais de 3000 mil pessoas já tinham sido infetadas.

Durante o período em que os avisos foram mantidos em segredo, na cidade de Wuhan, o epicentro do surto, realizou-se um banquete para milhares de pessoas. Por outro lado, milhares de passgeiros começaram a viajar para a China para festejar o novo ano chinês.  

O estudo revela que, caso este alerta tivesse sido uma semana antes e acompanhado das várias medidas de prevenção e distanciamento social, o número de infetados em todo o mundo podia ser de menos dois terços do que o atual.

O controlo rígido da informação foi, para alguns, a causa para a demora na divulgação dos avisos e dos primeiros casos de Covid-19. Dali Yang, professor de política chinesa na Universidade de Chicago afirmou à AP que os médicos tinham medo.

 Os médicos de Wuhan tinham medo. Foi uma verdadeira intimidação de toda uma classe.” 

O governo chinês já negou por diversas vezes que não escondeu informação no início da pandemia, referindo ainda que a Organização Mundial de Saúde foi informada desde os primeiros dias de surto.

O surto do novo coronavírus, que  começou na China no final de dezembro, já afetou 193 países e territórios e já matou mais de 123.000 pessoas.

Catarina Cardoso