O ciclone Idai chegou às 8 horas da noite de quinta-feira à Moçambique pela costa de Sofala, na cidade da Beira, e deixou várias famílias desalojadas. Com rajadas de vento a atingirem mais de 170 km/h e chuva intensa, o ciclone Idai destruiu casas, arrancou árvores e causou inundações que levaram a falhas de energia eléctrica, voos cancelados e os serviços de comunicações condicionadas.

Internautas divulgaram várias imagens da destruição causada pelo Idai no Twitter. 

 

 

 

 

As autoridades moçambicanas ainda não confirmaram a existência de feridos, mas os media locais referem que menos cinco pessoas ficaram feridas pela intempérie. De acordo com o comunicado do governo moçambicano, "até às primeiras horas da noite desta sexta-feira, o Hospital Central da Beira não tinha recebido nenhum paciente com ferimentos resultantes da depressão. As autoridades locais poderão pronunciar-se na tarde de hoje sobre os estragos causados pelo ciclone, fazendo um balanço preliminar”.

O último comunicado divulgado no país pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) informa que está prevista a ocorrência de chuvas e ventos fortes para as próximas horas no país.

O INAM prevê a ocorrência de chuvas fortes a muito fortes ( mais de150 milímetros em 24 horas), ventos com rajadas fortes até 100 quilómetros por hora e trovoadas severas nas províncias da Zambézia (distritos de Chinde, Luabo, Inhassuge, Morrumbala e Mopeia), Sofala (todos os distritos), Manica (todos os distritos), Tete (distritos de Changara, Mutarara, Doa, Marara, Cahora Bassa, Moatize, Chiuta e Cidade de Tete) e Inhambane (distritos de Govuro, Inhassoro, Vilankulo e Massinga). Prevê-se ainda a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes ( 30 a 50 mm/24h), acompanhadas de trovoadas severas e ventos com rajadas a norte das províncias de Niassa , Cabo Delgado e norte de Tete." 

 

Moçambique ainda está em alerta amarelo, mas espera que até as 14 horas locais o Idai diminua de intensidade e baixe a velocidade dos ventos para 70 km/h quando se aproximar da província de Manica, na região central do país.

Existe também a possibilidade das fortes chuvas atingirem a costa do Zimbábue e o sul de Malawi.

O Departamento de Mudanças Climáticas e Serviços Meteorológicos do Malawi também divulgou um comunicado sobre o Idai.

O Idai está atualmente no centro de Moçambique. Prevê-se que afete o sul o Malawi, com trovoadas dispersas e chuva associada a ventos fortes”, informa o comunicado.

 

Chuvas e Enchentes do início da semana 

Desde o início de março, Moçambique e Malawi foram atingidos por fortes chuvas e inundações que causaram a morte de pelo menos 122 pessoas nos dois países. De acordo com os números divulgados pela ONU, em Moçambique 66 pessoas morreram e 111 ficaram feridas por causa dos cheias. No Malawi, 56 morreram e 577 ficaram feridos. O presidente decretou estado de emergência na passada sexta-feira, dia 8 de março. 

Na terça-feira, técnicos do Escritório da ONU de Assistência Humanitária (Ocha) chegaram à Moçambique para avaliar quais são os tipos de ajuda necessárias para o país. 

De acordo com a Ocha, o governo de Moçambique instalou pelo menos 10.512 deslocados em 15 centros de trânsito nas províncias afetadas. Segundo os dados disponíveis, pelo menos 83.318 hectares da área cultivada estão inundados, afetando 54.853 pequenos agricultores.