Os talibãs lançaram no domingo o primeiro ataque contra uma capital de província do Afeganistão desde o acordo com os EUA, há sete meses, e quando decorrem negociações de paz com o governo, anunciaram esta segunda-feira as autoridades afegãs.

As autoridades afegãs informaram que uma série de ataques começou no domingo, perto de Lashkargah, capital da província de Helmand, no sudoeste do país, e em vários distritos vizinhos, provocando um número de vítimas ainda desconhecido.

Além dos confrontos em Lashkargah, “houve ataques nos distritos de Nawa, Nadali e Nahr-e-Saraj, adjacentes à cidade de Lashkargah”, de acordo com o porta-voz do governador de Helmand, Omar Zwak.

“O quarto distrito da cidade de Lashkargah foi capturado pelos rebeldes”, disse o conselheiro provincial Abdul Majid Akhundzada, referindo não saber o número de vítimas e explicando que os confrontos ainda se mantêm.

O porta-voz do Ministério do Interior do Afeganistão, Tariq Arian, garantiu hoje que as tropas afegãs mataram pelo menos “80 insurgentes e quase 100 deles ficaram feridos”.

Os talibãs não conseguem lidar com as nossas tropas. Responderemos com todas as nossas forças e possibilidades a cada ataque e ofensiva dos talibãs, em todos os cantos deste país”, avisou Arian.

Uma delegação de alto nível, incluindo funcionários do Ministério do Interior, chegou, entretanto, ao lugar dos confrontos, para avaliar a operação contra os talibãs.

O Presidente (Ashraf Ghani) assegurou ao povo de Helmand que o Governo apoiará totalmente as forças de segurança na província e disse que o ataque a Helmand terá um alto custo para os inimigos”, disse o gabinete do governador, num comunicado

Este é o primeiro ataque em força dos talibãs contra uma capital de província desde a assinatura do acordo entre os rebeldes e os Estados Unidos, no final de fevereiro, no qual foi acordada a retirada das tropas norte-americanas, em 14 meses.

Nesse acordo, os talibãs prometeram reduzir a violência e não atacar nenhuma área urbana.

“Os talibãs devem parar imediatamente as suas ações na província de Helmand e reduzir a violência em todo o país. Não é consistente com o acordo com os Estados Unidos e prejudica as negociações em curso”, disse o porta-voz das forças dos EUA, citando o General Scott Miller, comandante do Exército dos EUA e da coligação internacional no Afeganistão.

As negociações entre Cabul e os talibãs decorrem desde 12 de setembro, mas, até agora, as partes não conseguiram chegar a um acordo sobre as regras e regulamentos necessários para entrar na fase inicial de um acordo.

/ RL