A líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, avisou esta segunda-feira o presidente russo de que os acordos com Lukashenko não têm validade e devem ser revistos pelas "novas" autoridades da Bielorrússia.

Quero recordar a Vladimir Putin que, seja o que for acordado na reunião de Sochi (Rússia), não vai ter validade. Todos os acordos firmados pelo (Presidente) ilegítimo Lukashenko têm de ser revistos pelas novas autoridades, porque o povo lhe retirou a confiança nas eleições (presidenciais)", declarou Tikhanovskaya que se encontra na Lituânia. 

Lukashenko chegou hoje a Sochi, no Mar Negro, para se reunir com Putin, com quem vai abordar "assuntos chave" para o desenvolvimento das relações estratégicas entre a Rússia e a Bielorrússia assim como os "processos de integração no marco da União Estatal entre os dois países".

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não está prevista a assinatura de qualquer documento após as conversações entre os dois presidentes, que se vão reunir a sós. 

De acordo com o programa, não haverá conferência de imprensa após o encontro de Sochi, o primeiro entre Putin e Lukashenko desde as eleições presidenciais bielorrussas de 09 de agosto e que provocaram a maior crise política desde a independência do país. 

Logo após o fecho das urnas e após o anúncio dos resultados, que deram a vitória a Lukashenko com mais de 80% dos votos contra os 10% da candidata Tijanovskaya, começou uma vaga de protestos que se prolonga até hoje. 

"Lamento muito que tenham decidido dialogar com um usurpador e não com o povo da Bielorrússia", assinalou Tijanovskaya dirigindo-se às autoridades russas. 

As presidenciais bielorrussas foram rejeitadas e consideradas fraudulentas pela oposição e não foram reconhecidas pelos países da União Europeia e outros Estados ocidentais. 

Vladimir Putin, além de reconhecer a legitimidade das eleições, demonstrou apoio a Lukashenko, no poder há 26 anos, e comprometeu-se a enviar para o país uma força policial caso a situação na Bielorrússia se venha a "descontrolar". 

Até ao momento morreram seis pessoas durante os protestos e mais de 10 mil manifestantes foram detidos, entre os quais jornalistas. 

Numa tentativa de conseguir apoio direto de Moscovo, o líder bielorrusso, de 66 anos, acusa o ocidente de estar a tentar isolar a Rússia, que encara o país vizinho como um "tampão" contra a Aliança Atlântica e uma "porta de acesso" do setor da exportação da energia para o bloco europeu. 

Os dois países têm em vigor um tratado sobre relações políticas, económicas e militares que tem sido marcada por tensões e contenciosos.

Antes das eleições, Lukashenko acusou o Kremlin de pressionar a Bielorrússia a abdicar da sua independência.

Apesar das tensões políticas no passado, Moscovo tem condenado os protestos na Bielorrússia que pedem a resignação do presidente, receando um aumento do mesmo tipo de contestação na Rússia. 

 
/ RL