Marcelo Rebelo de Sousa responde a questões dos utilizadores do tvi24.pt

O que pode dizer sobre o Grupo Bilderberg, em que participou em 1998?

«Há muitas vezes a ideia de que existe uma longa mão americana, que de facto tem influência diplomática, política, económica e militar por todo mundo. Ainda agora saiu um livro em França sobre a crise do dólar de que os americanos não falam, preferem falar sempre do euro.

Muitas vezes se associa a presença americana a algumas instituições. Há dois partidos principais, o democrata e o republicano, e depois organizações que projectam o pensamento americano no mundo.

Uma é a Trilateral, que conheço apenas de ter ouvido falar e de ter lido; a outra é o grupo de Bilderberg. É um grupo que se reúne todos os anos, na Europa (até porque foi feito para construir pontes com a Europa), e convida, através de contactos de vários países, duas, três ou quatro pessoas para assistirem às reuniões.

Os encontros são fechados e quem assiste assume o compromisso de não contar cá fora o que se passa lá dentro. O objectivo é deixar todos os que participam à vontade nesse debate.

Fui convidado quando era presidente do PSD. Penso que é público e notório que a pessoa que em Portugal, desde sempre, tem a ligação com Bilderberg é Franscisco Pinto Balsemão.

Naquele ano fui convidado, tal como dois gestores portugueses. Sei que antes de mim tinha sido convidado António Guterres e sei que líderes da oposição, primeiro-ministros e figuras da vida económica e empresarial têm sido convidados.

A ideia é ficar a conhecer quem são e permitir que possam participar em debates da actualidade. Perguntam: há qualquer coisa de especial, de patológico, que se passe? Eu não notei. Fica algum vínculo de rede americana? Também não notei.

Era liderado por grandes figuras americanas, objectivo é ficar a conhecer quem tem algum protagonismo em cada país. Fui muito interessante, conheci líderes de outros países, sei que isso continuou, hoje até vem nos jornais quem é convidado.

Pedro Passos Coelho esteve para ser convidado, porque se pensava que seria primeiro-ministro. Tenho impressão que Sócrates também já foi. Vão convidando várias figuras, dizer que fica uma rede de ligação, não notei. Não tenho visão conspiratória, embora ache que a diplomacia americana aproveita todas as oportunidades para projectar a sua mensagem e fazer laços nos outros continentes, nos mais diversos domínios».
Redação