O secretário-geral do PCP encerrou, neste domingo, o XXI congresso com a afirmação de que não há alternativa política sem os comunistas e reclamar para a o partido “os avanços” positivos no Orçamento do Estado de 2021, que ajudou a viabilizar.

A alternativa política, de esquerda, precisa da “convergência de democratas e patriotas, da luta dos trabalhadores e do povo” e do “reforço do partido", afirmou Jerónimo de Sousa no discurso com que encerrou o congresso, no pavilhão Paz e Amizade, em Loures, Lisboa.

Alternativa política que não é possível só com o PCP, mas também não será possível sem o PCP”, disse Jerónimo.

No discurso, de pouco mais de 15 minutos, o secretário-geral comunista reclamou ainda “os avanços” que disse terem sido conseguidos pelo partido e que levaram a bancada comunista a abster-se e a viabilizar o Orçamento.

E sem nunca o citar, criticou o Bloco de Esquerda por ter ficado de fora do entendimento para viabilizar o Orçamento do Estado, esta semana.

É certo que, admitiu, foi um "caminho de ficou curto porque o PS não se liberta das suas escolhas e opções", que o PCP associa às "políticas de direita".

Mas enquanto alguns desistiam, se há avanços, medidas consagradas dirigidas aos trabalhadores, aos reformados, às pequenas empresas, à cultura, ao Serviço nacional de Saúde e aos seus profissionais, todas têm a marca, a contribuição, a proposta do PCP", defendeu.

Jerónimo, que foi eleito pela quinta vez, garantiu, ainda, não estar “a prazo” no cargo.

Questionado insistentemente sobre se irá cumprir integralmente os próximos quatro anos à frente dos comunistas, Jerónimo de Sousa, de 73 anos, assegurou estar “com força”.

Neste momento, tenho força para dizer que, sim senhora, não estou a prazo", garantiu, antes de entrar para a viatura do PCP que o costuma transportar, com os seguranças a apressarem o abandono do Pavilhão Paz e Amizade.

Aos 73 anos e líder do PCP há 16, o secretário-geral com maior longevidade a seguir ao histórico Álvaro Cunhal, o ainda deputado e antigo operário metalúrgico revelou-se "com energia, com força [para a luta]".

Eu força terei, se não tiver é que não posso...", brincou ainda.

Resolução política aprovada por unanimidade, nova direção aplaudida por 10 minutos

Os delegados ao XXI Congresso Nacional do PCP, que terminou hoje em Loures, aprovaram por unanimidade a Resolução Política, que define a estratégia do partido para os próximos quatro anos.

O documento incorporou 23 alterações na redação final, a grande maioria das quais de questões gramaticais ou de pormenor e sem alterar o sentido dos textos.

No Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, os nomes dos 129 membros do Comité Central eleito no sábado à noite foram anunciados por Luísa Araújo, que sai do Secretariado e passa para a Comissão Central de Controlo.

Por razões sanitárias, ao contrário do que é habitual nos congressos dos comunistas, os membros do CC não subiram ao palco instalado no pavilhão. As suas fotografias foram projetadas nos écrans no recinto do Pavilhão Paz e Amizade, ao som de um aplauso que durou dez minutos.

Os nomes mais conhecidos, como o de Bernardino Soares, João Ferreira, Edgar Silva, João Oliveira, Ilda Figueiredo ou Jerónimo de Sousa, também com gritos "PCP/PCP" foram os mais aplaudidos.

Entre as propostas de alteração à Resolução Política aprovada, destaca-se uma sugestão que vinca o combate do partido “ao silenciamento e às campanhas de manipulação” dos media.

No capítulo VI das teses do PCP pode ler-se que “é indispensável uma resposta cada vez mais reforçada, persistente e eficaz na informação e propaganda do partido”.

/ CM