O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse este sábado que não aceitará uma chantagem de crise política para votar favoravelmente do Orçamento de Estado, alegando que o documento tem de resolver os problemas do povo.

Quando nós dizemos: sim, estamos aqui para que o Orçamento tenha coisas positivas para o povo e nos vêm dizer: ou votam, ou criam uma crise, não aceitamos essa chantagem. Resolvam os problemas do povo e coloquem no Orçamento do Estado aquilo que aflige: o desemprego, a pobreza, os baixos salários, os serviços públicos degradados”, afirmou o líder comunista, nos Açores.

E acrescentou: “Reconheçam isso no Orçamento do Estado e vão ver que o PCP estará de acordo. Assim, não. Não me obriguem a votar numa coisa que não corresponde aos interesses dos trabalhadores e do povo português”.

O secretário-geral do PCP falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, num jantar com militantes, um dia antes de arrancar a campanha para as eleições legislativas regionais dos Açores.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje, na Guarda, que “estão criadas as condições” para que haja um acordo com o Bloco de Esquersa e o PCP para a aprovação do Orçamento de Estado para 2021.

“Se houver vontade política de todos, seguramente que iremos ter um bom orçamento em 2021”, sublinhou António Costa, repetindo que “é seguramente à esquerda” que será construído esse orçamento.

Segundo Jerónimo de Sousa, a redução da taxa de retenção na fonte de IRS, anunciada hoje, passa “ao lado daquilo que é essencial”.

Esta medida que hoje foi tão propagandeada, o que é que significa? Que no ano de 2021 podemos ter alguma compensação salarial, mas depois no ano de 2022 vão lá buscar o que deram?”, questionou.

“Bom seria que o PS respondesse ao PCP naquilo que tem defendido: a alteração dos escalões do IRS, aumentando a sua progressividade, o aumento do valor do chamado mínimo de existência e o aumento do valor da produção específica”, acrescentou.

O dirigente comunista reiterou a defesa de medidas como o aumento dos salários da função pública, o aumento do salário mínimo para os 850 euros, no curto prazo, um aumento significativo do investimento público e o reforço de serviços públicos, em especial na saúde.

Nos Açores, Jerónimo de Sousa disse ter sido recebido com simpatia, mas alertou que isso não basta para reforçar a presença parlamentar do PCP e retirar a maioria absoluta ao PS.

“Nesta vinda aos Açores, passando por São Miguel, hoje aqui na Terceira, fica-se sempre com uma sensação de alegria, pela forma como se dirigem ao secretário-geral do PCP e transmitem o seu respeito, a sua concordância, uma grande admiração. Nós ficamos muito contentes com essas manifestações de simpatia, mas só a simpatia não chega, é preciso os votos. É por isso que faço um apelo: que ninguém falta no dia 25 para bem das vossas vidas, para bem da região”, exortou.

Depois de São Miguel e Terceira, o secretário-geral do PCP participa, neste domingo, num almoço na ilha do Faial.

A CDU (coligação do PCP com o PEV) elegeu nas legislativas regionais de 2016 um deputado pelo círculo eleitoral da ilha das Flores, João Paulo Corvelo, que este ano não é candidato.

O coordenador regional do PCP, Marco Varela, concorre como cabeça de lista pela ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago, e pelo círculo de compensação.

 As legislativas dos Açores decorrem em 25 de outubro, com 13 forças políticas candidatas aos 57 lugares da Assembleia Legislativa Regional: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP. Estão inscritos para votar 228.572 eleitores.

No arquipélago, onde o PS governa há 24 anos, existe um círculo por cada uma das nove ilhas e um círculo de compensação, que reúne os votos não aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

/ SS