Do mal, o menos.

Não há Liga dos Campeões, mas nem tudo está perdido. O Benfica sabia que fazia nesta terça-feira a despedida da liga milionária, mas garantiu o mínimo que se lhe exigia: venceu o Zenit e assegurou que continua nas competições europeias, ainda que descendo um degrau rumo à Liga Europa.

Pior fica a equipa russa, que a dez minutos do final da fase de grupos tinha o passaporte para os oitavos de final da Champions, mas viu serem-lhe confiscadas as esperanças de se manter sequer na Europa, no que foi o culminar de dias negros que vive o desporto russo.

Alheio a tudo isso, e ciente do que tinha que fazer para não ser ele a despedir-se da Europa antes do Natal, o Benfica fez por não deixar as decisões em mãos alheias.

Vai daí, a equipa de Bruno Lage largou o tal «passado carregado de emoções e sentimentos negativos» de que o treinador dos encarnados falara na antevisão ao confronto com o Zenit, e agarrou com as duas mãos o futuro.

Ou melhor, agarrou com três golos. Mas a verdade é que deram muito jeito as duas mãos (na bola) de Douglas Santos. O defesa brasileiro da equipa russa levou dois cartões amarelos por jogar a bola com a mão e na segunda ainda o fez dentro da área, permitindo a Pizzi fazer o 2-0 de penálti.

Isto, pouco mais de dez minutos depois de Cervi ter feito o 1-0, após assistência de Pizzi, numa grande entrada do Benfica na segunda parte.

Finalmente o vislumbre de um Benfica europeu

Também na antevisão à partida, Lage voltara a insistir na necessidade de o Benfica recuperar o fulgor europeu de outros tempos. E voltou a haver um vislumbre desse Benfica, ainda que não totalmente nítido.

Aquilo que houve sim, foi um Benfica adulto e sem medo de ser feliz. A equipa das águias mandou quase sempre no jogo, ainda que tenha permitido que o Zenit fosse alimentando uma réstia de esperança, com uma ou outra oportunidade de perigo.

Depois, quando foi preciso garantir o resultado mínimo que permitia a continuidade na Europa, a equipa de Lage fechou-se mais. Porque era preciso.

Numa altura em que o Benfica já vencia por 3-0, graças a um autogolo de Azmoun, de calcanhar (!!) após canto de Grimaldo, chegaram notícias preocupantes de França.

O Lyon, que estivera a perder por 2-0, empatou a partida nos dez minutos finais e fez com que o 3-0 na Luz deixasse Benfica e Zenit à distância de um golo para abandonarem a Europa. Aí, já valera Vlachodimos ao Benfica, a dar uma sapatada nas aspirações russas, personalizadas num remate de Azmoun.

Mas depois, a maturidade da águia veio ao de cima. Bola guardada longe da área e um Zenit desesperado e sem ideias para impedir o desfecho que o afasta da Europa.

Mas com esse mal, pode o Benfica bem. O objetivo mínimo foi conseguido. E sem grande sofrimento, verdade seja dita.

Adérito Esteves / Estádio da Luz, em Lisboa