A FIGURA: Mason Mount

Técnica é isto. É com dois toques fazer um golo. Receber com o direito e rodar com o direito, deixando a bola à mercê para definir à vontade. Mount fez o golo, serviu Pulisic para um remate fortíssimo ao poste já perto do fim e, pelo meio, espalhou magia amiúde no relvado do Sánchez Pizjuán. Não é por acaso que aos 22 anos este médio ofensivo do Chelsea é titular da seleção inglesa. Esta noite, começou nos seus pés a derrota do FC Porto. Uma oportunidade, um golo. Como diz o ditado: «O diabo está nos detalhes.»

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O MOMENTO: minuto 32, o choque com a realidade

Se é verdade que o erro de Corona e o 2-0 de Chilwell, aos 85m, torna o resultado desta eliminatória mais pesado, também o é que o tom desta primeira mão foi definido pelo golo de Mason Mount. O FC Porto dominava, esteve perto do golo, chegou a banalizar até que à passagem da meia-hora se deu o choque com a realidade. Pelo modo como aconteceu na partida e pela forma como o médio inglês dominou com um toque e finalizou com o outro num tratado de eficiência. Se o FC Porto criava, o Chelsea marcou. Não há golpe mais duro do que esse.

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OUTROS DESTAQUES:

Otávio

Sobre a esquerda, mas a fechar ao meio sempre que possível, o médio brasileiro é dos mais batalhadores em campo. E a tudo isso junta sempre um toque de habilidade. Os seus cantos deixaram os blues em sentido. Aos 24m, quase marcou um golo olímpico, não estivesse Mendy com a máxima atenção. Aos 43m colocou a bola na cabeça de Pepe que esteve perto do golo. Na segunda parte, foi perdendo fôlego até acabar por ser substituído.

Pepe

Um fenómeno de 38 anos. O internacional português é o segundo mais velho jogador de campo a jogar nuns quartos-de-final da Liga dos Campeões – apenas superado pela lenda Ryan Giggs. E a verdade é que não se nota nada. Era vê-lo a dobrar Zaidu quando Reese James penetrava pelo flanco, a intercetar a ganhar cada dividida ou então a subir empurrando a equipa para a frente, intercetando segundas bolas já bem dentro do meio-campo adversário. Em suma: um fenómeno. Será Pepe eterno?

Manafá

O lateral fez 100 jogos pelo FC Porto e esteve em bom plano, sobretudo nas ações ofensivas. Logo a abrir a segunda parte, isolou Marega com um passe delicioso, mas o maliano desperdiçou. Nas redes sociais, houve uma corrente com a «trend» #DiadeManafá em que vários usuários trocavam a sua foto pela do lateral portista. Ora bem, Manafá não deslustrou a homenagem e em campo correspondeu com uma boa exibição.

Uribe e Grujic

O colombiano foi o primeiro a visar a baliza do Chelsea, num remate perigoso logo aos 11m, e ao longo do jogo exibiu-se sempre a bom nível, ganhando duelos e mostrando essclarecimento a decidir. O sérvio, por sua vez, entrou com vontade para o lugar de Sérgio Oliveira e foi um dos mais competentes da equipa, tanto a conter como, a espaços, a progredir. Boa exibição da dupla no miolo portista.  

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Mendy

Quando o FC Porto rondou a baliza, ele esteve lá. Canto direto de Otávio? Cabeceamento de Pepe? Remate de Marega? Mendy resolve. Sempre. Boa exibição do guarda-redes senegalês, a mostrar porque é que nesta época Kepa se senta no banco de suplentes.

Chilwell

O esquerdino ex-Leicester fechou o flanco esquerdo na zona intermédia no sistema de 3-4-3 e nem sempre se deu bem com as combinações entre Corona e Manafá. No entanto, ofensivamente acabou por ser decisivo. E acabou por aproveitar um erro de Corona para roubar a bola, contornar Marchesín e a cinco minutos dos 90 fazer o resultado que faz pender ainda mais a eliminatória para os ingleses.

Sérgio Pires / Enviado especial do Maisfutebol a Sevilha