Impropérios e cânticos de incentivo. Aplausos!. Que saudades! 

A Fórmula 1… Perdoe-me, confusão minha. Com cerca de 3750 adeptos, o FC Porto arrancou a primeira vitória na fase de grupos da Liga dos Campeões frente ao Olympiakos (2-0) e está, como seria de prever, bem dentro da discussão pelo apuramento para os oitavos de final.

Mesmo que o jogo não tenha enchido o olho a quem assistiu, era difícil roubar o entusiasmo a quem esteve no Dragão, 235 dias depois, enfrentando a chuva e o frio. 

«Allez Porto, allez». Ainda nem o árbitro tinha apitado, já os adeptos portistas se faziam ouvir. E como é bom ouvir pessoas no estádio. Enfim, foi um cheirinho dos bons velhos tempos.  

Como se disse, a partida valeu ao FC Porto pelo triunfo. Os dragões fizeram um jogo cinzento e pouco brilhante, valendo-lhes especiamente a forte entrada no encontro. O golo começou na cabeça de Sérgio Conceição e acabou no pé esquerdo de Fábio Vieira: saída de bola curta dos helénicos com pressão alta dos portistas. Bouchalakis fez o que foi certamente previsto pelo técnico do FC Porto, ou seja, errou. Sérgio Oliveira fugiu na esquerda e apesar de Cissé ter impedido o desvio de Marega, Fábio Vieira bateu José Sá (11m).

A verdade é que o Olympiakos, especialmente na primeira metade, pouco produziu. Aliás, foi o FC Porto quem esteve mais perto de ampliar o marcador em duas ocasiões, mas Marega ora permitiu a defesa a Sá, ora definiu mal.

A situação de golo mais flagrante dos campeões gregos saiu dos pés do pequeno genial Mathieu Valbuena. O internacional francês aproveitou o alívio imperfeito de Marchesín para tentar o chapéu que só não deu golo porque Mbemba cortou em cima da linha.

Respirava de alívio o FC Porto a caminho do balneário perante os aplausos dos seus adeptos - nunca é demais repetir que houve público!

A segunda parte teve momentos distintos. O Olympiakos começou melhor e ameaçou o empate com uma bomba de Masouras que Marchesín travou. Pouco depois, foi Rúben Semedo a falhar o 1-1 na sequência de um pontapé de canto. Entre um par de disparos longe do alvo de fora da área, os helénicos perderam ímpeto e viram o adversário crescer.

Sérgio Conceição sentiu a equipa curta em campo e alterou, lançando Evanilson, Nakajima e Grujic (em estreia). Contudo, acabaram por ser dois titulares a resolver a partida: Marega fugiu na direita e cruzou para o cabeceamento de Sérgio Oliveira em antecipação a Rafinha (85m). 

Marchesín impediu o golo de honra do Olympiakos nos instantes finais. Ouviu-se, uma vez mais, aplausos. E agora, com o distanciamento exigido, vamos esquecer o roncar dos motores, perdão, o som de um estádio com gente, e voltemos ao silêncio dos estádios portugueses. 

Vítor Maia / Estádio do Dragão, Porto