Figura: Jonas

Começou o jogo a dar um susto a todo o estádio da Luz quando ficou estendido na zona de meio-campo depois de um choque com De Ligt em que pareceu perder os sentidos por instantes. O suspiro de alívio que se sentiu no estádio no momento em que pediu para reentrar na partida só foi ultrapassado em termos de intensidade aos 29m, quando adivinhou onde a bola ia cair e inaugurou o marcador com toda a calma do mundo. Como se não tivesse sobre as costas o peso de uma equipa em crise. A verdade é que mesmo voltando aos golos na Champions, mais de dois anos e meio – e nove jogos – depois, o brasileiro sairia mesmo de maca, aos 55m. E a partir daí, a exibição do Benfica foi sempre a descer. O anti-depressivo brasileiro não chegou para curar as feridas deste Benfica.

Momento: defesa de Onana com os pés e o Benfica (literalmente) por terra (90+5)

Últimos segundos de jogo. A Luz a empurrar a equipa naquele que se sabia ser o últimio lance do jogo. Canto da direita, Rúben Dias ganha de cabeça, a bola sobra caprichosamente para o pé esquerdo de Gabriel que remata forte. A bola leva a direção da baliza, já quase se festeja... e Onana defende com o pé direito. A bola perde-se pela linha de fundo. O árbitro apita para o final. Há seis jogadores do Benfica deitados ou de joelhos no relvado e irrompem os assobios das bancadas. Um cenário com contornos de drama.

Outros destaques

Grimaldo

Aos 30 segundos indicou o caminho, com um remate de muito longe que só uma difícil intervenção de Onana impediu que desse golo. Voltou às noites de entendimento perfeito com Cervi e isso fez com que o jogo ofensivo do Benfica na primeira meia-hora tivesse carrilado todo pelo lado esquerdo. Após o golo do Ajax, voltou a ser ele a dar o primeiro sinal aos companheiros com novo remate a causar problemas a Onana.

Gedson

Cada vez mais uma certeza. Num jogo de enorme importância para o Benfica, Rui Vitória não teve problema em apostar no jovem médio, relegando para o banco Pizzi. E Gedson correspondeu, com uma exibição muito mais segura do que Gabriel, o colega de setor. O camisola 83 mostrou a habitual capacidade em transportar jogo, mas também errando poucos passes, ao contrário do brasileiro. Surpreendeu, por isso, ter sido ele o escolhido para sair aos 75m, para a entrada de Pizzi.

Vlachodimos

O Benfica foi mas perigoso na primeira parte do que o Ajax, ainda assim, deve ao guarda-redes greco-alemão a vantagem que se registava ao intervalo. Aos 39m, negou o golo de livre direto a Ziyech e no último lance do primeiro tempo voltou a ter uma grande estirada, novamente num livre frontal, desta feita de Schone, tendo ainda reflexos para fazer a pressionar Tadic, que deixou De Jong a milímetros do golo.

Salvio

Foi uma das surpresas de Rui Vitória na equipa inicial, depois de ter sido suplente na derrota frente ao Moreirense. Apesar de o jogo das águias ter passado quase sempre pelo corredor esquerdo durante os primeiros 45 minutos, foi do argentino a assistência para o golo de Jonas… num lançamento lateral. Saiu logo no início da 2ª parte, com queixas no tornozelo esquerdo.

Tadic

Surgiu como referência ofensiva da equipa holandesa à semelhança do que já tinha acontecido na visita do Ajax a Munique. Aos 61m deixou bem claro o porquê da aposta. Após lançamento longo de Ziyech, aguentou a pressão de Rúben Dias, ultrapassou Vlachodimos e tocou para o golo do empate.

Neris

A subida de rendimento da equipa de Ten Hag na segunda parte deveu-se muito ao brasileiro de 21 anos. Se nos primeiros 45 minutos pouco tinha feito, veio do intervalo com vontade de agitar o jogo e colocou a cabeça em água a André Almeida, deixando todo o setor recuado em sentido.

De Ligt

Um verdadeiro patrão… de 19 anos. O central teenager que já é capitão deste Ajax deixou uma demonstração de classe na Luz. O melhor exemplo disso é corte que fez sobre Grimaldo, aos 70m quando o espanhol ficava isolado na cara de Onana.

Adérito Esteves / Estádio da Luz, em Lisboa