Há noites assim.

Sombrias, sem cor e sem alma. Uma noite exatamente como aquela que o Benfica teve esta quarta-feira no St. Jakob-Park perante um Basileia que fez história.

O octacampeão helvético aproveitou uma noite catastrófica dos tetracampeões nacionais para arrancar a maior vitória da sua história na fase de grupos da Liga dos Campeões. Do jogo, apenas resta um resultado que entra diretamente para os compêndios das derrotas mais pesadas do clube na Europa.

Na antevisão do encontro Rui Vitória tinha dito que todos os jogos têm de ser jogados como finais. O pensamento é encorajador, de facto, mas das palavras aos atos vai uma enorme distância. Como se comprovou esta noite.

O Benfica entrou no encontro praticamente a perder já que aos dois minutos Lang aproveitou um corte imperfeito de André Almeida para fazer o 1-0. E foi no pé direito do suíço que começou a desenhar-se a hecatombe encarnada.

Ainda combalida do primeiro golo sofrido, a águia sofreu outro golpe. Rude, diga-se.

Tudo começa num pontapé de canto para o Benfica. Sim, leu bem. O corte encontrou Steffen que saiu em velocidade para o ataque. Correu meio-campo, sem ninguém o travar, até ao passe que isolou Oberlin para o segundo golo.

FICHA DE JOGO

Apatia geral. Foi um dos lances que espelhou na perfeição o jogo do Benfica esta noite.

Vinte minutos jogados e uma desvantagem de dois golos. Tarefa dificílima, quiçá, utópica para as hostes benfiquistas.

Esperava-se uma reação, um grito de revolta de uma águia com o orgulho ferido. Essa reação, muito ténue, sublinhe-se, chegou por intermédio de Jiménez, uma das novidades no onze. Um disparo forte, por cima da baliza de Vaclik.

Curto. Muito curto para quem precisava de somar os primeiros pontos na prova.

Consciente da necessidade urgente de inverter o rumo dos acontecimentos, Vitória tirou Cervi e procurou em Salvio a velocidade e agressividade que faltou à sua equipa durante quarenta e cinco minutos. Porém, voltou a ser o Basileia a entrar melhor.

Lang desperdiçou uma excelente oportunidade logo no início, antes de Ricky van Wolfswinkel fazer o 3-0 de grande penalidade, após falta de Fejsa.

Se a noite não estava, nem de perto nem de longe a correr de feição ao Benfica, pior ficou quando André Almeida teve uma autêntica paragem cerebral e foi expulso. Ultrapassou Petretta e sofreu falta mas o árbitro não assinalou. O português levantou-se e entrou a pés juntos sobre o italiano, em noite de estreia.

André Almeida era a imagem do desnorte total do Benfica.

Volvidos apenas sete minutos, Oberlin aproveitou um passe errado de Pizzi para assinar o bis no encontro. E quando seria difícil imaginar um cenário ainda mais negro, o recém-entrado Riveros fez o 5-0.

O Basileia, além de ter conseguido o resultado mais robusto da sua história nesta fase da prova, conseguiu bater, à terceira tentativa, o Benfica. Pode-se dizer que à terceira foi mesmo de vez.

Uma noite épica, portanto.

Dois jogos, duas derrotas. Nenhum ponto conquistado. É o registo do Benfica antes do duplo confronto com o todo-poderoso Manchester United. Ainda há esperança. Terá de ser, necessariamente, com outra postura.
 

Vítor Maia