A FIGURA: Éder Militão

Só patamar europeu desfaz dúvidas sobre a verdadeira valia de uma série de talentos do futebol nacional. Éder Militão passa os testes mais difíceis com distinção e, ao quarto jogo europeu (14.º no total), estreou-se a marcar pelo FC Porto: um cabeceamento para o poste mais distante abriu caminho para o triunfo sobre o Schalke. Se a atacar Militão foi excecionalmente decisivo, a defender ele voltou a ser como de costume determinante. Saiu quase sempre por cima em cada desarme, em cada duelo aéreo, em cada sprint com o adversário. Esteve irrepreensível na cobertura a Felipe, bem mais intranquilo que o seu colega do eixo da defesa. Apesar da juventude, mostra em campo a liderança de um veterano.

Não são de estranhar as recentes notícias vindas de Inglaterra sobre um eventual interesse do Manchester United no seu concurso. Arriscamos já escrever que Militão é superior a qualquer dos centrais que Mourinho tem à sua disposição nos Red Devils.

E pensar que tem apenas 20 anos e que chegou há três meses ao futebol europeu… Notável.

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O MOMENTO: minuto 55’. «Até parece bilhar!»

«Até parece bilhar!», costuma dizer-se quando a bola corre no tapete verde como num pano de snooker. Esta noite, o Schalke sofreu em três minutos o dobro dos golos que havia sofrido nos outros quatro jogos da Liga dos Campeões. Militão abriu a contagem, Corona ampliou-a e em duas tacadas o FC Porto resolveu o assunto do primeiro lugar neste Grupo D. A segunda é um primor: às três tabelas Brahimi e Corona combinaram para um golo em que Stambouli ainda tocou, sem evitar que a bola cruzasse a linha fatal. O 2-0 aos 55 minutos permitiu ao FC Porto tranquilizar-se, apesar do sufoco final, quando o Schalke a reduziu de penálti aos 89’. A estocada final de Marega acabou com as dúvidas.

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OUTROS DESTAQUES:

Corona

Depois da experiência (bem-sucedida) a lateral, no triunfo frente ao Belenenses (2-0) para a Taça de Portugal, o internacional mexicano voltou para a ala e na sua posição natural fez de novo uma grande exibição. O melhor exemplo disso é o golo que inventou aos 55’, em tabela com Brahimi. Pouco depois, aos 62’, esteve perto de bisar, num livre estudado em que Óliver picou a bola sobre a barreira. Já perto do final, ainda teve tempo de ver o cartão amarelo para cumprir o jogo de suspensão na derradeira partida, frente ao Galatasaray, em Istambul.

Marega

Quarto jogo consecutivo a marcar na Liga dos Campeões. Depois de aos 90 introduzir a bola na baliza, num lance anulado por fora de jogo, Marega havia de picar o ponto nos descontos… Precisamente picando a bola à saída de Fäharmann para sentenciar o resultado final em 3-1. Já na primeira parte o franco-maliano havia ameaçado, com um remate cruzado só travado pelo guarda-redes do Schalke. Quem não tem Aboubakar, lesionado, nem Soares, não inscrito, caça com Marega. E a verdade é que o franco-maliano mostra dotes de predador na alta roda europeia.

Danilo

Foi dele o tiro de partida para o FC Porto começar a ganhar a batalha desta noite no Dragão. A pressão alta dos alemães só começou a ser sacudida à passagem do quarto de hora de jogo, quando Danilo disparou fortíssimo à entrada da área para defesa de Fährmann. O médio portista nunca perdeu de vista a baliza. Esta noite, tentou visá-la uma mão cheia de vezes. No meio-campo, voltou a ser determinante para controlar as investidas dos alemães, que povoaram muito a zona central. 

Óliver

Nem a grande penalidade cometida, por mão na bola, bem perto do final, tira o brilho a mais uma exibição de alto nível do artista do meio-campo do FC Porto. Critério no passe, controlo de bola, visão de jogo... Em suma, inteligência. Óliver é inteligência em movimento. É um deleite vê-lo jogar. Aos 55', serviu Militão com um cruzamento perfeito para o 1-0.

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Ralf Fährmann

Foi ele o esteio do muro alemão que se manteve de pé nos primeiros 45 minutos. Quando o FC Porto acertou a mira e disparou com perigo à entrada da área, esteve lá Fähmann. O guarda-redes do Schalke foi protagonista de duas grandes defesas no espaço de quatro minutos: a primeira a um remate potente de Danilo (16’), depois num lance em que Marega roda e remata cruzado (20’). Na segunda parte, porém, o muro alemão acabou por ruir.

Nabil Bentaleb

O companheiro de Brahimi na seleção argelina é um médio talentoso. A sua qualidade no passe faz a diferença no meio-campo alemão. Coube-lhe a honra de reduzir da desvantagem do Schalke, ao converter com classe um penálti aos 89 minutos.

Sérgio Pires / Estádio do Dragão, no Porto