Uma eliminatória com muito ainda por decidir e com o destino de muitos portugueses (jogadores e treinadores) em jogo. Esta quinta-feira, 16 equipas ficam pelo caminho, outras tantas vão seguir em frente na Liga Europa.

O Sporting tem pela frente uma das missões mais complicadas. Os leões recebem os alemães do Wolfsburgo e precisam de virar uma desvantagem de dois golos. A história não joga a favor da equipa de Marco Silva, mas o clube de Alvalade já mostrou (duas vezes) que é possível. Aconteceu em 1963/64, época em que os leões ganharam a Taça das Taças. Pelo caminho, recuperaram de uma derrota com a Atalanta, em Itália, por 2-0. No Estádio José Alvalade, os leões venceram por 3-1, numa altura em que os golos fora não faziam diferença. O resultado repetiu-se no jogo de desempate, disputado em Barcelona. Mais recentemente, em 2010/11, o Sporting foi à Dinamarca derrotar o Brondby (3-0) depois de ter perdido em Portugal por 2-0. Rui Patrício é o único resistente dessa equipa.



«Já aconteceu mais vezes no passado, por isso acreditamos muito que, enquanto for possível, podemos dar a volta à eliminatória», comentou esta quarta-feira o técnico leonino.

Para a difícil missão frente à equipa alemã, Marco Silva já deverá poder contar com Islam Slimani. O argelino está recuperado de uma lesão e integra a lista de 21 convocados onde não está o brasileiro Jefferson. O lateral esquerdo teve um desentendimento com o presidente Bruno de Carvalho e foi afastado dos trabalhos com a equipa principal. Na antevisão do embate com o Wolfsburgo, Marco Silva recusou comentar o assunto, enquanto Adrien Silva disse apenas que o episódio não afeta o grupo de trabalho.



Jogos quentes

Feyenoord e Roma defrontam-se esta quinta-feira em Roterdão naquele que será um dos duelos mais palpitantes dos 16 avos de final da Liga Europa. Não tanto pelo que se passou no jogo da primeira-mão (empate a um golo), mas sim pelo que se passou fora dele. Adeptos da equipa holandesa envolveram-se em confrontos que culminaram em 23 detenções, vários feridos e na destruição de uma fonte do século XVII.

Em Roterdão são esperados 2.700 adeptos do clube italiano e as autoridades holandesas já avisaram que não vão tolerar «ajustes de contas» ou qualquer outro tipo de comportamentos marginais. «A polícia está a contar com a realização de um evento em que exista desportivismo, tanto dentro como fora do estádio, mas reagirá com firmeza se se verificarem distúrbios ou forem cometidos crimes», avisou a polícia local.

Também em Florença as autoridades inglesas vão juntar-se às forças policiais italianas para assegurar que o antes/durante/depois do jogo entre Fiorentina e Tottenham corra dentro na normalidade.



Presenças portuguesas

Dos 16 duelos agendados para esta quinta-feira, o destino de portugueses na Liga Europa está em jogo em metade. O Trabzonspor de José Bosingwa está praticamente arredado da competição e, no Olympiakos, Vítor Pereira procura a mesma receita que o Sporting. No plano oposto, o Zenit de Villas-Boas, Danny e Neto tem o apuramento ao virar da esquina, mas não pode descansar.

(+/-)
Miguel Veloso e Antunes vão estar em ação no Dínamo Kiev-Guingamp, onde o conjunto ucraniano precisa de recuperar de uma desvantagem de um golo, depois da derrota em França por 2-1. Nesse jogo, Veloso ainda abriu a contagem a favor dos ucranianos, que fizeram toda a segunda parte reduzida a nove jogadores, permitindo a reviravolta dos gauleses. O Dínamo segue, no entanto, vivo para o jogo decisivo.

(+/-)
Ali perto, na Polónia, Orlando Sá e Hélio Pinto ( Legia Varsóvia) também precisam de recuperar de uma derrota por 1-0 em Amesterdão, frente ao Ajax.



Na Grécia, um português vai ficar pelo caminho. O Olympiakos de Vítor Pereira (-) ou o Dnipro de Bruno Gama (+). O técnico português acredita que o campeão helénico pode seguir em frente. «Queremos ser melhores do que primeiro jogo, porque se estivéssemos ao nosso nível o Dnipro é uma equipa ao nosso alcance.» Para já, a equipa ucraniana está mais perto dos oitavos de final da Liga Europa: defende em Atenas uma vantagem de 2-0.

(-)
Tarefa complicada? Sem dúvida, mas não tanto como a que o Trabzonspor de José Bosingwa (e de Oscar Cardozo, já agora) tem pela frente: é que os turcos foram esmagados em casa pelo Nápoles, no jogo da primeira-mão, por 4-0.
Mais: reza a história que nunca nas competições europeias uma equipa conseguiu recuperar fora de portas de uma desvantagem de quatro golos. O cenário não se afigura famoso.

(+)
Famosa está a vida do Zenit de André Villas-Boas, Luís Neto e Danny, a par do Sevilha a equipa estrangeira com maior representação nacional. Na primeira-mão, os russos foram à Holanda vencer o PSV Eindhoven por 1-0 (golo de Hulk). O Zenit está mais perto dos oitavos, mas a curta vantagem não lhe permite descansar. Uma coisa é certa: Villas-Boas, expulso nos instantes finais do primeiro jogo, verá a partida da bancada.
 
(+)
Perto do apuramento está também o Sevilha de Daniel Carriço, Diogo Figueiras e Beto, que ainda recupera de uma lesão sofrida num jogo com o Real Madrid para a Liga espanhola. A formação espanhola vencedora da última edição da prova, jogada contra o Benfica, vai à Alemanha defender uma vantagem de 1-0 diante do Borussia Mönchengladbach.

(+/-)
Por fim, o Anderlecht, onde alinha Rolando (cedido pelo FC Porto), defronta fora o Dínamo Moscovo após um nulo registado na Bélgica.

Outros jogos:
Inter-Celtic (3-3)
Fiorentina-Tottenham (1-1)
Besiktas-Liverpool (0-1)
Red Bull Salzburgo-Villarreal (1-2)
Athletic Bilbao-Torino (2-2)
Everton-Young Boys (4-1)
Club Brugge-Aalborg (3-1)

Os jogos dos 1/16 de final da Liga Europa (resultados da 1.ª mão)
David Marques