O Sp. Braga sofreu a primeira derrota caseira da era Rúben Amorim e está fora da Liga Europa. A pedreira mostrou que não é à prova de Rangers e os escoceses venceram na cidade dos arcebispos pela margem mínima 0-1, culminando a eliminatória com a vantagem de dois golos (4-2), avançando para os oitavos de final.

Com o sinal de obrigatório vencer para anular a desvantagem da 1.ª mão, os bracarenses estiveram por cima do jogo, mas foram traídos pelo pragmatismo e pelo cinismo do Rangers. Aguerridos e musculados, os escoceses foram fortes a bloquear os caminhos para a sua área e venenosos a lançar o contragolpe.

Matheus ainda segurou os arsenalistas a suster uma grande penalidade no último lance da primeira parte, mas nada pôde fazer perante o raide de Kent. Depois de ter estado a vencer por dois golos na Escócia, os quinze minutos em que permitiu a cambalhota ao Rangers acabam por ter um peso evidente na eliminatória.

O Rangers foi exímio a ler o jogo e as vicissitudes da eliminatória, teve serenidade e cabeça fria em vários momentos mesmo aparentando claramente ser inferior tecnicamente à equipa portuguesa.

Mais Braga, perigo escocês e Matheus a agarrar a eliminatória

Sendo este jogo a segunda metade de uma eliminatória, obviamente que as incidências de Glasgow foram transportadas para a pedreira. O Sp. Braga entrou em campo em desvantagem na eliminatória e, por isso, entrou por cima no encontro. A equipa de Rúben Amorim deixou o seu meio campo para trás e assumiu que o jogo seria no meio terreno escocês.

Troca de bola constante e afinco a tentar criar oportunidades de golos sem que a equipa se expusesse a contragolpes que pusessem em causa a eliminatória. Muitos cruzamentos, vários cantos e tentativas de lançamento para as costas da defesa iam traduzindo o domínio territorial do Sp. Braga.

Do lado do Rangers, que viajou para Portugal com vantagem depois do triunfo na primeira mão, os pupilos de Steven Gerrard foram solidários e coesos na retaguarda, até porque era fácil perceber que a equipa lusa teria de assumir as despesas do jogo.

Mas, por entre o domínio do Sp. Braga os lances de maior perigo pertenceram aos homens de Glasgow. Ataques rápidos a apanhar a defensiva bracarense desarrumada ameaçaram por mais do que uma ocasião abanar as redes. Em algum desses lances o Rangers foi mesmo perdulário, tendo condições para fazer melhor.

No último lance da primeira parte frisson na baliza bracarense. Na sequência de um canto Raúl Silva ajeita a bola com o braço, dando origem a uma grande penalidade que fez Matheus saltar para a história do jogo. Que defesa do brasileiro a suster o castigo máximo de Hagi, mantendo com uma palmada o Sp. Braga vivo na eliminatória.

Kent foge ao cerco

Para a segunda metade Rúben Amorim abdicou de Palhinha, um médio mais forte e posicional, acrescentando João Novais ao jogo num claro sinal de que queria o tão ansiado golo que revertesse a eliminatória.

O Sp. Braga montou o cerco à baliza de McGregor, voltou a conquistar muitos lances de bola parada e colocou várias bolas em zona de perigo. Parecia faltar tranquilidade para o fazer de forma lúcida e não pressionada pela necessidade de desfazer a desvantagem.

Só que quando estava cumprida uma hora de jogo Kent conseguiu fugir ao cerco e lançou os escoceses para o triunfo. Passe de Hagi para as costas da defesa, o inglês foi mais rápido e foi até à cara de Matheus atirar para o fundo das redes, marcando de forma quase irremediável o jogo e, por consequência, a eliminatória.

Amorim ainda abdicou de dois centrais para incrementar o poder de fogo no ataque, mas o Sp. Braga acabou o jogo demasiado pressionado. Esteve por cima, é certo, Paulinho até atirou uma bola ao ferro, mas tudo demasiado forçado. Pela primeira vez na era Rúben Amorim o Sp. Braga fica em branco e cai das competições europeias. Os bracarenses não perdiam em casa na Europa desde 2017 e pela primeira vez na história perdem uma eliminatória em casa depois de trazer uma desvantagem mínima da primeira mão.

Bruno José Ferreira / Estádio Municipal de Braga