Vento, golos de belo efeito e um ponto para cada lado. O Tondela teve mais produção, deu a volta ao marcador, mas o Rio Ave foi eficaz e resgatou a igualdade em superioridade numérica, após expulsão de Ricardo Alves, que condicionou o que os beirões construíram com mérito até à hora de jogo.

O Rio Ave continua sem ganhar em casa com Daniel Ramos e o Tondela somou a quarta jornada seguida sem vencer, mas chega aos 20 pontos e não cai nos lugares de descida ao fim da jornada.

As duas equipas apresentaram-se de modo idêntico à jornada anterior, com poucas alterações e todas forçadas. No Rio Ave, Galeno regressou três semanas depois, rendendo o castigado Diego Lopes. No Tondela, Moufi e Ricardo Costa substituíram o lesionado David Bruno e o castigado Jorge Fernandes.

Ainda com tudo empatado, já o vento ganhava. Noite gelada em Vila do Conde, intempérie a condicionar o futebol nos primeiros minutos. E Léo Jardim que o diga: os pontapés de baliza não passavam do meio campo.

Contudo, foi o Rio Ave, a jogar contra o vento, a tirar cedo dividendos do jogo, num rápido contra-ataque após canto a favor do Tondela. Murilo e Galeno saíram em rápida combinação desde o meio campo defensivo e o último rematou em arco à entrada da área, para o 1-0.

O Rio Ave foi 100 por cento eficaz na primeira parte. Fez golo aos nove minutos no primeiro – e único – remate à baliza. A partir daí, o Tondela, que já tinha avisado por Tomané, foi uma equipa mais sóbria e ponderada a atacar. Mais rematadora. Com um jogo pensado e construído. O Rio Ave, mais de instinto. Porém, sem conseguir poder ofensivo concreto na velocidade de Galeno e Murilo.

Já com vento mais brando, o Tondela avisou por Peña e marcou por Delgado, num cabeceamento imponente após cruzamento de Xavier, que deixou Matheus Reis pelo caminho (24’).

Mais cantos, mais livres, mais sumo ofensivo. Foi assim o Tondela até ao descanso. A reviravolta esteve perto por Delgado e Xavier, mas foi uma questão de tempo de melhor pontaria, já na segunda parte.

Rio Ave-Tondela: ficha e filme do jogo

O lado mudou, a toada manteve-se: mais Tondela e mais um golo. Delgado já tinha marcado de cabeça e deu a marcar da mesma forma a Tomané, que desviou após canto na pequena área. Reviravolta à vontade, perante alguma passividade dos verde e brancos (52’).

O Rio Ave estava adormecido e só despertou à hora de jogo, com Nadjack como antídoto.

Numa rara incursão individual de êxito, o lateral-direito cavou a expulsão de Ricardo Alves, que enfraqueceu a coesão coletiva do Tondela e abriu o jogo. Depois, o mesmo Nadjack arranjou a jogada do 2-2: tabelou com Galeno e cruzou rasteiro para o golo de Bruno Moreira (74’), num lance em que Cláudio Ramos acabou mal batido após tocar na bola.

O Rio Ave, que ficou 61 minutos (!) sem marcar após o 1-0, já tinha avisado por Galeno antes do 2-2 e cresceu ao chegar à igualdade. Contudo, encontrou um Tondela de entreajuda e sacrifício e que nunca abdicou de atacar em busca do terceiro golo. Ronan quase deu a vitória aos da casa, mas Cláudio Ramos manteve tudo igual.

Ricardo Jorge Castro / Estádio do Rio Ave FC, Vila do Conde