O Belenenses arrancou uma difícil vitória sobre o Portimonense e está muito perto de poder festejar mais um ano no principal escalão. A equipa arrancou um golo de bola parada e depois defendeu a vantagem com unhas e dentes face à forte reação dos algarvios no segundo tempo. A verdade é que, com estes três pontos, a equipa de Petit fica mais perto da Europa do que da despromoção.

Petit e Paulo Sérgio apresentaram os respetivos onzes de gala para um jogo que, em caso de vitória, significava praticamente a continuidade no primeiro escalão e um possível salto significativo na classificação. As melhores pedras em jogo, mas muitas cautelas na abordagem ao jogo, com prioridade à consistência defensiva, sobrando pouco espaço para o risco, tirando alguma ousadia dos jogadores mais soltos.

O treinador do Belenenses, afastado do banco, depois de expulso em Paços de Ferreira, acabou por reconstruir o ataque habitual dos «azuis», apesar de Cassierra e Miguel Cardoso terem apresentado dificuldades durante a semana. Paulo Sérgio, por seu lado, também manteve a estrutura habitual, com Fali Candé de regresso às opções.

O Belenenses entrou mais forte, procurando surpreender os algarvios com um bloco alto, mas a equipa de Portimão susteve as primeiras investidas dos «azuis» e, aos poucos, começou a explorar o muito espaço que a equipa de Petit deixava nas costas, com Fabrício e Aylton Boa Morte a descerem pelos flancos. Num ápice, o tabuleiro do jogo virou, com o Belenenses a recuar em toda a linha face à crescente pressão dos algarvios.

Uma pressão que até resultou num golo, com Aylton Boa Morte e pressionar Kritciuck e a bola a sobrar para Beto que atirou a contar. No entanto, alertado pelo VAR, Manuel Mota foi rever as imagens e considerou que houve falta de Aylton sobre o guarda-redes russo e o nulo manteve-se intacto. Mas nesta altura já era o Portimonense que estava por cima do jogo e os algarvios voltaram a ameaçar as redes de Kritciuck com um remate de Fabrício. Agora era o Belenenses que procurava explorar as transições rápidas, mas raramente conseguiu apanhar os algarvios desprevenidos.

Já perto do intervalo, a equipa de Petit beneficiou de dois livres consecutivos sobre a esquerda. O primeiro foi marcado por Silvestre Varela, mas Moufi cortou de cabeça. Logo a seguir, no mesmo local, foi Rúben Lima a cruzar para o segundo poste. Samuel Portugal saiu de forma desenquadrada e não chegou à bola que foi cair aos pés de Cassierra e o colombiano, atirou a contar, com a bola a passar por um mar de pernas antes de chegar às redes. Sem ter feito muito por isso, o Belenenses chegava à vantagem em cima do intervalo.

Paulo Sérgio não esperou mais tempo e lançou Anzai e Anderson para o segundo tempo, prescindindo de Fali Candé e Pedro Sá. O japonês vaio animar a ala esquerda, enquanto o brasileiro juntou-se a uma frente alargada de quatro elementos no ataque que colocou muitas dificuldades aos azuis no arranque da segunda parte. Aylton Boa Morte teve uma boa oportunidade para o empate, mas atirou à figura de Kritciuck. Petit procurou equilibrar a contenda, reforçando o meio-campo com Taira, mas os algarvios continuaram a carregar por todos os lados.

O empate parecia iminente, com um Belenenses sem capacidade para travar as sucessivas vagas dos algarvios, mas Petit voltou a mexer, lançando Bruno Ramires e Francisco Teixeira, formando um bloco cada vez mais denso no meio-campo. A verdade é que acabou por equilibrar o jogo, que passou a ser de parada e reposta, com os «azuis» a procurarem matar o jogo com um segundo golo. Miguel Cardoso, antes de sair, teve uma oportunidade flagrante nos pés, tal como Francisco Teixeira que atirou às malhas laterais.

O Portimonense ainda fez um último forcing, arriscou tudo no ataque, mas o Belenenses resistiu até final e segurou os três preciosos pontos que lhe permitem começar a festejar a continuidade no primeiro escalão e, quem sabe, até chegar à Europa.

Ricardo Gouveia / Estádio Nacional, em Lisboa