Dois anos e meio depois o Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas voltou a ter um jogo sem a festa do futebol; que é como quem diz, sem golos. O melhor leão da temporada vinha numa série de quatro triunfos consecutivos, mas foi encaixado no xadrez do Moreirense (0-0), cedendo assim terreno na luta pela manutenção do terceiro lugar.

O embate de encerramento da jornada 30 começou muito estratégico, com as equipas encaixadas em sem espaços, mas a expulsão de Halliche no início do segundo tempo deixou o Sporting em superioridade numérica praticamente toda a segunda parte.

Faltou arte para fazer a diferença. A equipa de Rúben Amorim instalou-se no meio campo adversário, ganhou terreno mas ficou-se por aí, faltando argumentos para ultrapassar o último reduto do Moreirense, sempre compacto e organizado.

Xadrez com bolas paradas

Sem pressão e numa situação tranquila, Moreirense e Sporting fizeram do tapete verde do Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas um tabuleiro de xadrez, com muita estratégia, posicionamento criterioso de cada peça e atenção redobrada a cada movimentação.

A equipa da casa, o Moreirense, tentou pressionar alto de forma a provocar o erro em zonas adiantadas do terreno. O Sporting tentou livrar-se desta pressão, sendo que quando tal não foi possível tentou explorar a velocidade de Plata e de Jovane nos corredores para criar perigo e tentar esticar o seu jogo.

Jogo de equilíbrios e de duelos, com a componente tática bem vincada e pouco espaço para que o talento fizesse a diferença. No meio deste cenário as bolas paradas ganharam especial destaque, figurando como momentos com percentagem mais elevada de potencial perigo. Mas, até aí, a maior intensidade foi nos bancos com o corrigir constante de posicionamento.

Vermelho baralha contas mas não as peças

Depois de uma primeira parte em que os guarda-redes fossem praticamente espectadores, não fosse Pasinato ter visto amarelo por, pretensamente ter perdido tempo, o arranque do segundo tempo trouxe um dado novo ao jogo. Halliche foi expulso aos seis minutos e baralhou o número de peças do xadrez em campo.

Reorganizou-se o Moreirense, subiu metros o Sporting e aumentou o domínio, mas a realidade é que as peças, apesar de em número diferente, praticamente não se mexeram. Com os cónegos compactos no seu bloco, o Sporting teve dificuldades a criar lances de perigo. Perto do minuto 70 Pasinato fez a primeira defesa do jogo, adivinhando-se o assédio final do Sporting quando o Moreirense já não conseguia sair.

O assédio existiu mas foi tímido, ficando as redes por abanar. Já não acontecia desde janeiro de 2018 em Moreira de Cónegos. Rúben Amorim continua sem perder na Liga, o Sporting continua a ser equipa que não perde há mais tempo na Liga, mas o empate sabe a pouco, principalmente depois de jogar praticamente toda a segunda metade com mais um elemento em campo.

Os leões partiram para esta jornada com cinco pontos de margem para o quarto lugar, cedendo terreno. O Sp. Braga está agora a três pontos.

Bruno José Ferreira / Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos