A FIGURA: Nilton Varela

É isto que se pode chamar de arma secreta. Nilton Varela foi lançado pouco antes da hora de jogo, para o lugar de Chima. Demorou pouco tempo a dar outra profundidade à ala esquerda do Belenenses, certamente desejo do treinador Filipe Cândido, e aos 73 minutos materializou isso mesmo no golo do empate, num remate em esforço já dentro da área. Mas não se ficou por aqui. Aos 90+3 minutos, quando muitos já pensavam no empate, Nilton acreditou mais do que toda a gente e correu novamente em esforço, desta vez para a linha de fundo. O cruzamento para Abel Camará foi certeiro e o avançado fez o resto. Mas que ninguém se esqueça: esta vitória do Belenenses tem muito de Nilton Varela.

O MOMENTO: Abel Camará, no sítio certo à hora certa, minuto 90+3

O relógio não parava e era ele quem mandava, mas Abel Camará, assistido por Nilton Varela, tinha outros planos para o resultado final. O avançado estava no sítio certo à hora certa para dar ao Belenenses a segunda vitória no campeonato e permitir que os azuis fiquem mais perto de passar a lanterna-vermelha da Liga.

OUTROS DESTAQUES

Leandro Silva

Fundamental em todo o jogo do Arouca. O jogo nunca foi bonito, e se há homem que soube vestir o fato de macaco para o encarar foi Leandro Silva. Foi importante para aguentar o meio-campo logo após a expulsão de André Silva – nessa altura, Pedro Moreira subiu uns metros no terreno – e, depois que estabilizou, deu um verdadeiro show como todo o terreno. Importantíssimo no trabalho defensivo, acrescentou no ataque sempre que pôde: colocou Arsénio e Dabagh na cara do golo com dois passes sublimes, e esteve ele muito perto de marcar aos 87 minutos, num livre que acabou na barra. Exibição muito completa.

Afonso Sousa

A equipa procura-o constantemente, e Afonso procura constantemente o jogo. Com bola, é sem dúvida o elemento que mais pode dar a esta equipa do Belenenses, e mesmo sem bola, trabalha constantemente para a recuperar. Nunca desistiu do jogo e tentou sempre dar outra fluidez ao ataque em posse dos azuis. Foi ele, de resto, que desenhou a melhor jogada do Belenenses no encontro, que Pedro Nuno acabou por não finalizar da melhor maneira. Acabou a partida esgotadíssimo.

Bukia

Tecnicamente é acima da média, e isso toca-se praticamente a cada vez que toca na bola. Bukia foi uma dor de cabeça para a defesa do Belenenses, desequilibrando várias vezes e arrancando várias faltas. Acabou por perder protagonismo com o passar dos minutos, mas enquanto teve energia, foi uma constante ameaça para o adversário – mesmo a sete minutos dos 90, quando acertou no poste da baliza de Luiz Felipe.

Dabagh

Noite agridoce para o avançado palestiniano. Foi lançado aos 25 minutos para dar outra presença ao ataque do Arouca depois da expulsão de André Silva, e acabou por justificar a aposta, com o 1-0 aos 37 minutos. Na segunda parte teve nova oportunidade para faturar – na altura seria o 2-0 –, mas acabou por desperdiçar perante Luiz Felipe. Pouco depois, foi expulso e deixou os arouquenses a jogarem com nove. Agridoce, lá está.

Cafu Phete

O Belenenses viu-se a jogar com mais um aos seis minutos, um trunfo que poderia ser importante para os azuis regressarem aos triunfos. Mas ele rapidamente foi desperdiçado por Cafu Phete, que também recebeu ordem de expulsão. Podemos discutir se o castigo do árbitro é justo ou não, mas a verdade é que Phete colocou a sua equipa numa situação bem menos confortável devido a uma precipitação.

Rafael Vaz / Estádio Nacional, Oeiras