O Benfica recuperou a liderança da Liga, mas perdeu a vantagem de dois pontos que tinha sobre o FC Porto, ao desperdiçar uma vantagem de dois golos na Luz diante do Belenenses. A vencer por 2-0, a equipa de Bruno Lage consentiu dois golos caricatos, separados por apenas três minutos, e deixou escapar uma vitória que parecia certa. Jonas, apesar do regresso discreto, desbloqueou o marcador já na segunda parte, Samaris aumentou a vantagem logo a seguir, mas depois o Benfica deitou quase tudo a perder. Um jogo intenso, com quatro golos concentrados num curto período de quinze minutos, a ditar a interrupção da série de nove vitórias de Bruno Lage na Liga.

Confira a FICHA DO JOGO

O jogo começou com uma intensidade elevada, com uma oportunidade para cada lado, logo a abrir o jogo. Primeiro para o Benfica, com Samaris a recuperar uma bola, a entrar na área e a servir Rafa que disparou de primeira a rasar o poste. Resposta rápida do Belenenses, com Lucca a descer pela esquerda e a cruzar para o segundo poste para o remate de Diogo Viana, também ao lado. Estavam lançados os dados para uma primeira parte intensa, com o Benfica a procurar, desde cedo, fixar o jogo junto à área de Muriel e o Belenenses, a defender com duas linhas bem juntas, a fechar-se em copas.

O Benfica, com uma elevada posse de bola nos minutos iniciais, montou o cerco e foi procurando espaço nas alas, com um André Almeida, de novo com a braçadeira de capitão, a mostrar muita disponibilidade física para colaborar na constante pressão que a equipa de Bruno Lage procurava impor. Pizzi, Rafa e também João Félix iam trocando de flanco, procurando baralhar as marcações dos azuis que esta noite trocaram a cruz de Cristo por uma Torre de Belém ao peito.

A equipa de Silas defendia com duas linhas separadas por pouco mais de um metro, entalando os avançados do Benfica numa curta faixa, na qual sentiam tremendas dificuldades para visar a baliza de Muriel. Quando recuperava a bola, a equipa de Silas procurava sair com critério, de pé para pé, mas a verdade é nos primeiros instantes sentiu muitas dificuldades em escapar ao cerco montado pelo Benfica.

Aos poucos, o Belenenses conseguiu ganhar meia dúzia de metros e afastar o jogo da área de Muriel, mas o jogo seguiu intenso na luta pela bola. O Benfica continuava a mandar e Rafa, na sequência de um grande passe de Ferro, voltou a levantar as bancadas, com um remate que voltou a passar perto do poste. Lutava-se intensamente por cada bola, por cada metro conquistado, mas a verdade é que o intervalo chegou num ápice, ainda com o marcador em branco.

Quatro golos em quinze minutos

O Benfica voltou a entrar forte na segunda parte, conquistou logo um pontapé de canto e voltou a a instalar-se ali, junto à área do Belenenses, agora com Pizzi mais na zona central e João Félix e Rafa sobre as alas. O Belenenses voltava a cerrar fileiras, mas acabou surpreendido por um lance que parecia inofensivo.

André Almeida, junto à linha lateral, cruza largo, Jonas na área controla muito bem com o pé direito e dispara com o mesmo pé para o primeiro golo da noite. A equipa correu toda atrás de Jonas que correu para o banco e atirou-se para cima de Bruno Lage. Tinha de ser ele. Parecia que estava escrito. O avançado tinha estado discreto no regresso à titularidade, mas apareceu quando o Benfica mais precisava dele.

Um golo que soou a um enorme alívio na Luz. O mais difícil estava feito. O Benfica relaxou de imediato, numa altura em que o Belenenses procurava agora esticar o seu jogo. No entanto, os «azuis» mal tiveram tempo para ensaiar a nova estratégia, uma vez que o Benfica voltou a marcar, sete minutos depois, num lance de bola parada. Livre de Pizzi, Gonçalo Silva corta de cabeça e Samaris, junto à meia lua, disparou de primeira para nova festa na Luz. Agora sim parecia estar tudo resolvido, mas ainda havia muito jogo pela frente, até porque o Belenenses empatou em apenas três minutos, interrompendo a festa da Luz que já ia pedindo o «37».

Dois erros crassos. O primeiro foi, acima de tudo, caricato. Um livre de Diogo Viana que tentou colocar a bola na área, ninguém se fez ao lance, nem Vlachodimos que a viu entrar, impávido, na sua baliza. O Benfica ainda estava a recuperar do choque quando Rúben Dias, com a bola controlada, ofereceu-a a Kikas que não se fez rogado e voltou a bater o guarda-redes alemão, com classe, com um remate em arco. Tal como na primeira volta, o Belenenses voltava a marcar dois golos ao Benfica e, num ápice, o jogo voltava a ficar empatado e frenético.

O Benfica voltou a puxar pela adrenalina e voltou à carga, num jogo que estava agora aberto, com um Belenenses com a confiança em alta pelos dois golos marcados. Silas prescindiu de Kikas para lançar Vélez, enquanto Lage refrescava o ataque com as entradas de Zivkovic e Jota. O Benfica fez o que lhe competia e carregou com tudo nos últimos minutos, mas o Belenenses também cerrou os dentes determinado a não desperdiçar o que tinha conquistado.

O empate não se desfez até final e, feitas as contas, o Benfica regressa ao topo da classificação, mas agora com os mesmos pontos. Os dois rivais partem, assim, de braço dado, para aos últimos nove episódios deste campeonato.

Ricardo Gouveia / Estádio da Luz, em Lisboa