Ainda que já estivesse matematicamente despromovido à II Liga, o Feirense foi aos Açores ‘estragar’ a festa da permanência do Santa Clara em solo açoriano. Foi uma chuva de golos (4-4) que terminou com a divisão de pontos. Uma prestação airosa para a equipa de Santa Maria da Feira que ocupa o último lugar da tabela, enquanto o Santa Clara mantém o oitavo posto, com 42 pontos, o melhor registo de sempre dos insulares na Liga.

O Santa Clara entrou na partida a dominar mas, nos primeiros minutos, não encontrou grandes facilidades nas entradas do bloco defensivo do Feirense. Talvez, por isso, poucos lances de perigo se viram por parte da equipa da casa. Mesmo assim, a pressão dos açorianos prometia dar frutos e, aos 10 minutos, Ukra, pelo corredor direito, desvia para Mamadú que, junto ao primeiro poste, se limita a empurrar o esférico para o fundo das malhas do Feirense.

FILME E FICHA DO JOGO.

Um golo que teve dois destinatários: Accioly e Clemente, dois companheiros de equipa que vão despedir-se dos relvados no final da época e fizeram o último jogo no Estádio de São Miguel.

Depois do golo dos açorianos, a resposta do Feirense começou a ganhar consistência, de forma crescente. E a reviravolta acabou mesmo por acontecer… Por causa de uma rasteira de César a Edson Farias, o Feirense chega ao empate na sequência de um penálti, que Tiago Silva não desperdiçou.

À meia hora, estava o jogo relançado e por pouco o Santa Clara não compensava o prejuízo. Num ressalto de livre bem batido por Mamadú, Schettine falhou o alvo de forma escandalosa.

E como quem não marca, arrisca-se a sofrer, o Feirense voltou a marcar, em mais uma falha defensiva dos encarnados de Ponta Delgada, que deixaram a baliza aberta e permitiram a Mateus Anderson ‘brindar’ João Lopes com o chapéu.

Mas a reviravolta dos fogaceiros ainda tinha mais para se ver.

O terceiro golo surgiu quatro minutos depois, num cabeceamento de categoria de Flávio Ramos. O despromovido Feirense dava sinal de querer terminar a época como regresso às vitórias, algo que já não acontecia desde 20 de agosto, em jogos para a Liga.

No entanto, os açorianos não baixaram os braços e a dois minutos do intervalo, Schettine redimiu-se do falhanço e, em mergulho, cabeceou para o fundo das redes do Feirense.

Do intervalo veio um Santa Clara motivado mas a precisar de afinar a pontaria. Já o Feirense limitava-se a tentar gerir a vantagem no marcador. Mas a sede de golos dos insulares não dava margem para erros na defensiva dos fogaceiros, que permitiu novo empate, com Schettine a roubar a bola a Flávio Ramos e a bisar com um golo de classe frente a Caio.

Contudo, durou pouco a igualdade no marcador. Um Feirense como há muito não se via capitalizava bem os erros dos açorianos e, com um toque de sorte à mistura, conseguiu chegar ao quarto golo do encontro e, uma vez mais, colocar-se em vantagem.

Mas o Santa Clara não desarmou e voltou a marcar, 10 minutos depois, novamente por Schettine. Até ao final da partida, os açorianos continuaram a correr atrás do prejuízo, mas a conta saldou-se com a divisão de pontos.

Foi, por isso, uma festa com sabor agridoce, já que a pretensão do Santa Clara era presentar os adeptos com uma vitória que permitisse ao emblema açoriano subir mais um degrau na classificação.

Este foi um jogo com entrada livre, mas ainda assim, a casa ficou com a lotação a bem menos de metade. Dos 10 mil lugares do Estádio de São Miguel, neste o último jogo da época, foram ocupadas 3746 cadeiras. E, desta vez, São Pedro até colaborou, não dando o ar de sua graça.

Luísa Couto