Marítimo e Sporting arrancaram a I Liga com um empate a uma bola numa partida nem sempre bem disputada, mas que ofereceu momentos de muita emoção. 

Neste duelo de leões, sofreram ambos. E um pontinho para cada acaba por ser uma divisão justa. A equipa lisboeta exerceu um maior domínio em quase todos os capítulos do jogo, mas regressa a casa sem vencer na Madeira pela quarta temporada consecutiva.

O técnico do Sporting abdicou do sistema de três centrais que levou a jogo com o Benfica, para a Supertaça, e lançou Borja para o lugar de Neto, fazendo subir Acuña para extremo esquerdo. Já Eduardo substituiu o castigado Doumbia como médio defensivo, enquanto Bas Dost cedeu o lugar a Luiz Phellype na frente do ataque.

Pelo Marítimo, o treinador Nuno Manta Santos manteve o onze que alinhou de início na vitória por 2-1 em casa do Leixões, para a Taça da Liga.

FILME E FICHA DO JOGO.

Os leões de Lisboa entraram fortes, a rasgar as linhas dos homólogos madeirenses com objetividade e a chegar ao último terço com relativa facilidade. Mas foi o Marítimo, depois de aguentar bem a pressão atacante do Sporting, a chegar ao golo, praticamente no primeiro lance de ataque construído pelos insulares. 

O reforço Jhon Cley ganhou na raça a Thierry, aproveitando um passe para explorar a profundidade de Rúben Ferreira, e entrou na área pela esquerda para cruzar sem demoras para o segundo poste, onde surgiu Getterson desviar para o fundo das redes. 

As duas equipas ainda procuravam assentar o jogo pedido pelos respetivos técnicos. O golo acabou por injetar uma boa dose de confiança na turma de Nuno Manta Santos, implicando o oposto para os comandados de Marcel Keizer.

Mais ainda havia muito tempo para jogar e o Sporting, apesar da boa réplica que o Marítimo estava a dar, começou a pressionar. A equipa madeirense, bem apostada nas transições rápidas, foi causando alguns sobressaltos na frente, fechando bem os espaços para sua grande área. Mas os verde-brancos começaram a controlar o jogo.

O fruto desse domínio chegou ao minuto 29, com o inevitável Bruno Fernandes em evidência. Primeiro, o médio disparou do meio da rua, obrigando Charles a uma grande defesa para canto. Na sequência da marcação deste, o capitão leonino recuperou o esférico na direita e após trabalhar bem, cruzou para o coração da grande área, onde apareceu Coates, no meio do centrais insulares, a cabecear para o empate. 

O ascendente dos lisboetas ganhou a confiança que precisava, e pouco depois da meia hora, Acuña e Raphinha estiveram muito perto do segundo, com remates que passaram perto dos postes da baliza maritimista. 

A equipa insular acusou o golo e evidenciou dificuldades nas marcações, mas conseguiu segurar o empate até ao intervalo, que chegou sem direito a descontos. 

Para o reatamento voltaram as mesmas equipas, e também as mesmas intenções. O Marítimo continuou a ceder a iniciativa, para sair em transições rápidas, com o Sporting assumir o jogo. Mas o descanso trouxe uma equipa verde-banca mais intensa na construção e controlo do jogo. 

O primeiro quarto de hora da etapa complementar foi de autêntico sufoco para o Marítimo, valendo Charles num par de ocasiões para evitar o segundo do Sporting, e uma grande entreajuda e sacrifício por parte dos seus colegas da defesa, com destaque para Zainadine e Kerkez. 

O ataque leonino produzia muito, mas pecava na hora de atirar ao alvo, o que quase sempre fez desde fora da grande área. Mas coube ao Marítimo, depois de se libertar do colete de forças que lhe quiseram impor desde o reatamento, a assinar a grande ocasião de golo do segundo tempo, aos 75 minutos. Correa trabalhou bem na direita sobre Mathieu e cruzou para o japonês Daisen Maeda cabecear ao poste, antecipando-se a Thierry, que ficou à espera que a bola viesse ter com ele.

Havia chegado a hora do Sporting sofrer. Jhon Cley, aos 84 minutos, levou a bola a passar muito perto do poste direito de Renan, e este, pouco depois, evitou o golo dos insulares com uma grande defesa a remate de Correa. 

Aos 87 minutos, num lance confuso, Raphinha ainda atirou duas vezes ao poste, mas o golo não teria contado, pois começou com um fora de jogo. Mas o Marítimo, mais solto, reagiu depois, pelo endiabrado Daizen Maeda, mas o remate saiu muito perto do poste. O último fôlego foi gasto pelo Sporting, mas o remate de Wendel esbarrou na defesa insular.

Raul Caires / Estádio dos Barreiros, Funchal