Há dezoito anos que o Boavista não vencia em Braga. A última vez que conseguiu tal proeza fê-lo ostentando as faixas de campeão. Com uma exibição personalizada os homens de Daniel Ramos deram a primeira vitória à pantera na pedreira, com um golo de Alberto Bueno (0-1) na transformação de um castigo máximo.

Prestação segura do Boavista, com uma estratégia bem delineada e convicção suficiente para a transportar para as quatro linhas na casa de um Sp. Braga que há seis meses não sofria qualquer derrota no seu reduto a contar para a Liga. Sem vencer há cinco jornadas, os axadrezados saltam três lugares na tabela classificativa.

O Sp. Braga perde pelo segundo jogo consecutivo, não regressa bem da paragem da Liga e deixa-se igualar pelo Sporting na tabela classificativa. Vale um golo a manter os guerreiros no pódio. Faltou criatividade ao conjunto bracarense, algo que nem com um meio campo entregue a André Horta e Fransérgio foi conseguido.

Braga mandão, Boavista perigoso

Com uma retoma aziaga da Liga após perder na última jornada, Sp. Braga e Boavista iniciaram o jogo como que com uma demonstração de forças e de vontades. Os minhotos tentaram impor a sua supremacia registando uma entrada forte, capaz de encostar os axadrezados no seu meio campo nos primeiros minutos. Destaque para a presença de Rolando, voltando a jogar um ano e quatro meses depois.

Mas a pantera cedo se soltou das amarras e pôs as garras de fora, assinando logo aos sete minutos aquela que viria a ser a grande oportunidade da primeira metade. Sauer rompeu pela direita e deu atrasado para Bueno finalizar de primeira à entrada da área. Defesa aparatosa de Matheus a evitar o golo.

Apresentações feitas. O Sp. Braga assumiu-se como dono e senhor do jogo, tendo mais bola e maior dose de iniciativa, o Boavista não deixou de atacar cirurgicamente, com critério, fazendo por apanhar o adversário em contrapé. Nem sempre este figurino foi cumprido. Por vezes o jogo ficou demasiado musculado e disputado a meio campo, com duelos a mais e faltas em igual proporção.

Esgaio vacila mas Bueno não

Estando por cima do jogo, faltava ao Sp. Braga criatividade para efetivar a sua supremacia. Raramente a equipa orienta da por Custódio criou perigo de forma consecutiva; resultado: o Sp. Braga foi previsível e ficou exposto perante um Boavista que atacou apenas pela certa.

De um lance aparente inofensivo os axadrezados colocaram-se em vantagem. Esgaio perdeu tempo, demasiado tempo a limpar, foi imprudente e quando tentou resolver derrubou Cassiano na área, dando à equipa de Daniel Ramos uma oportunidade soberana. Alberto Bueno não desperdiçou e colocou a pantera em vantagem.

Apostou tudo Custódio, refrescando o ataque, mas a verdade é que o Sp. Braga parece ressentir-se da paragem. Não abafou o adversário, tal como acontece quando o resultado não é favorável na pedreira. Não deu o grito de guerreiro e deixou o Boavista gerir as incidências defensivamente.

Triunfo axadrezado no fecho da jornada 26, um triunfo como há dezoito anos não se via. Com tiques de campeão. Está relançada a luta pelo último lugar do pódio.

Bruno José Ferreira / Estádio Municipal de Braga