O Sp. Braga despediu-se da pedreira na presente temporada com um safanão, tímido, na crise. Sem qualquer triunfo nos últimos quatros jogos, os guerreiros bateram o Moreirense (2-1), mas não se livraram de mais um susto.

Apenas de penálti, num dos últimos lances do encontro, o Sp. Braga confirmou o triunfo poucos minutos depois de o Moreirense empatar a partida. Respiração profunda. Os derradeiros minutos até deixam a entender que foi um grande jogo, mas a realidade é que não o foi.

Valeu um golo de Ruiz e o tal penálti de Novais para devolver os bracarenses aos triunfos, disfarçando assim mais uma exibição desgarrada e aparentemente no limiar físico de uma temporada que já vai longa. Organizado, o Moreirense teve uma série de oportunidades, quando apanhou os bracarenses em contrapé, mas desperdiçou em demasia. Pires foi o expoente máximo desse desperdício.

Os cónegos ainda tinham, e têm, aspirações de chegar ao sexto lugar. Podiam ascender a essa posição, à condição, mas falharam essa meta. Já com o quarto lugar mais do que definido, o Sp. Braga fez uma espécie de treino de descompressão enquanto espera pela final da Taça de Portugal.

Pires perdoou, Ruiz aproveitou

Como seria de esperar, assumiu as despesas do jogo o Sp. Braga, tendo a iniciativa quase que exclusiva no jogo. Esbarrava, contudo, na organização competente do Moreirense e na sua própria falta de ideias e de velocidade para trocar a bola com rapidez suficiente a ponto de abrir brechas na equipa de Vasco Seabra.

Em sentido inverso, quando teve espaço e apanhou um Sp. Braga descompensado, o conjunto cónegos lançou-se rapidamente para o ataque. Filipe Pires teve por duas vezes nos pés a oportunidade de abrir o ativo e Franco quase se intrometia entre um atraso pouco convicto de Sequeira para Matheus.

Quando começava a apostar nos remates exteriores, também eles sem convicção, Sequeira pôs o pé esquerdo a funcionar e descobriu Abel Ruiz na área. Castro ainda passa à frente da bola, iludindo os adversários, ficando Ruiz em condições para alvejar com êxito as redes do estreante Miguel Oliveira a cinco minutos do intervalo

Ainda se lembra do dilema de Pires com a baliza adversária? Em cinco minutos ainda teve mais dois capítulos. Perdida incrível mais uma vez, sendo que na derradeira tentativa foi Tormena a evitar o empate em cima da linha de golo.

Guerreiros menos permeáveis, ainda tremeram

Foi para os balneários com um resultado lisonjeiro no bolso o Sp. Braga, mudou essa imagem na segunda parte. Não deslumbrou, longe disso, mas esteve menos permeável e, por consequência, não deu grandes hipóteses ao Moreirense para armar contragolpes.

Passou pelo seu melhor momento a equipa de Carlos Carvalhal, encostou o Moreirense lá atrás, rematou muito e conseguiu vários pontapés de canto consecutivos, evidenciando uma superioridade efetiva que não tinha sido vista até então. A vantagem mínima arrastou-se no tempo, parecia não estar em causa, até que Vasco Seabra fez saltar Rafael Martins do banco. Em apenas dois minutos, aos 87, o atacante brasileiro marcou e soltou os fantasmas da pedreira.

Já nos descontos, um remate forte apanhou um braço cónego no caminho e o árbitro apontou de imediato para a marca dos onze metros. João Novais, também aposta no decorrer do jogo, recolocou o Braga na frente e evitou novo empate.

Regresso do Sp. Braga aos triunfos na despedida de casa, impedindo o Moreirense, que nunca venceu em Braga, de saltar para o sexto lugar.

Bruno José Ferreira / Estádio Municipal de Braga