Seis jogos, seis vitórias, 18 pontos, 14 golos marcados, um sofrido. O FC Porto foi a Vila do Conde vencer o Rio Ave por 2-1 (onde nas últimas quatro temporadas havia vencido sempre por 3-1) e de uma assentada volta à liderança, a par do Sporting, e cava um fosso de cinco pontos de vantagem para o Benfica.

Sérgio Conceição iguala o arranque de Villas-Boas na notável época de 2010/11, porém Casillas e sus muchachos passaram a saber o que é sofrer um golo por cá, após 530 minutos de baliza inviolável na Liga.

Depois de uma vitória difícil (apesar do 3-0) diante do Desp. Chaves e de uma entrada em falso na Liga dos Campeões, o FC Porto chegou a Vila do Conde e voltou a vencer tangencialmente, mas com justiça, tal como acontecera nas deslocações a Tondela e a Braga.

RIO AVE-FC PORTO, 1-2: FILME DO JOGO

Com o plantel na máxima força, o técnico portista fez entrar na equipa Herrera, Otávio e Aboubakar para os lugares de Óliver, Corona e Soares. Três alterações em relação ao jogo com o Besiktas e uma variação tática assinalável: Marega surgiu sobre a direita e Otávio acompanhou Aboubakar no ataque. Foi assim até ambos trocarem em definitivo de posições, nos cinco minutos finais da primeira parte.

Do outro lado, o costume: um Rio Ave com a bola no pé, sempre que podia, com Rúben Ribeiro a ocupar o lugar no meio do castigado Geraldes e Nuno Santos a entrar na equipa para atacar sobretudo pelo flanco direito.

O jogo abriu com o dragão pressionante e Brahimi esteve muito perto de inaugurar o marcador logo aos 10’, quando apareceu solto na área a rematar ao lado, após um cruzamento rasteiro de Ricardo.

Porém, daí em diante, o controlo da partida e as oportunidades de golo foram-se dividindo. Guedes falhou um par de cabeceamentos na área portista e Barreto visou com perigo a baliza portista aos 29’, tal como aconteceu do lado contrário, momentos antes, com Marega.

RIO AVE-FC PORTO, 1-2: DESTAQUES

No segundo tempo, o FC Porto voltou a entrar forte, mas desta vez foi bem mais efetivo na hora de atacar. Felipe falhou de cabeça aos 48’, Aboubakar desperdiçou aos 54’, mas no canto que deu sequência ao lance Danilo apareceu na área, imponente, a desviar para o golo. Era o melhor período de jogo dos azuis e brancos, que aos 67 chegaram ao 2-0 num lance que começa numa cavalgada impressionante de Marega, seguida de uma insistência de Brahimi, que cruza atrasado para o franco-maliano, na área, encher o pé e marcar.

Jogo resolvido? Longe disso. A desvantagem despertou o Rio Ave, Miguel Cardoso arriscou e teve o prémio aos 80’, quando Karamanos descobriu Nuno Santos, que desfeiteou Casillas e acabou com a incrível sequência invicta da defesa portista neste arranque da Liga.

Seguiram-se, portanto, dez minutos de aflição portista, que aliviou com a expulsão de Marcão (aos 89’ por segundo amarelo), após uma confusão junto à linha lateral. O dragão só serenou, ainda assim, com o apito final. Sofreu, mas atravessou um Rio revolto e saiu bem vivo de Vila do Conde, onde o Benfica empatara.

O esforço bem compensou. Na outra margem havia, na medida do que é possível à 6.ª jornada, uma espécie de pote de ouro no final do arco-íris: a liderança da Liga e um rival já a cinco pontos de distância.

Sérgio Pires