O Sp. Braga estreou-se a vencer em casa na presente edição da Liga ao impor ao regressado Nacional a primeira derrota da temporada (2-1). Num jogo que ameaçava ser monótono, o conjunto de Carvalhal chegou ao intervalo com a questão praticamente resolvida com dois golos de levantar o estádio de Fransérgio e Iuri Medeiros.

Momentos deslumbrantes, gestos técnicos perfeitos, ápices de inspiração. Foi desta forma que um Sp. Braga exatamente com o mesmo onze que goleou em Tondela conseguiu anular o Nacional. Os golos de Fransérgio e Iuri Medeiros, de pé canhoto, merecem ser revistos pela sua espetacularidade e por ter, ao mesmo tempo, papel preponderante no encontro. Na segunda parte os arsenalistas ficaram a dever a si mesmos outro resultado.

Aparentemente tranquilo e com processos bem definidos, que transitam da época passada, o Nacional acabou por sucumbir perante estes momentos, saindo do municipal bracarense sem pontos e com poucos lances de finalização ofensiva para amostra, apesar de diminuir a desvantagem já perto do final.

Pontapés canhotos desafiam guião

O embate entre Sp. Braga e Nacional teve um guião bem definido e aceite por todos. Os bracarenses assumiram a despesa de jogo fazendo-se valer do seu maior estatuto, competindo ao Nacional ser organizado e espreitar o contragolpe. Guião acertado, protagonistas encontrados, faltou representar os respetivos papéis com criatividade.

Ou seja, faltavam condimentos ao jogo. O Sp. Braga circulava a bola lentamente, era previsível e exercia de forma tímida a supremacia. Os insulares eram tímidos na organização e na saída, assistindo-se a uma primeira meia hora pastosa, sem grandes motivos de interesse e com demasiado encaixe.

Contudo, de pé esquerdo com golpes de génio o Sp. Braga construiu uma vantagem que se veio a revelar importantíssima para a conquista dos três pontos. Primeiro foi Fransérgio, num dos lances em que o jogo arsenalista parecia querer encravara novamente, em que o médio parecia não ter soluções a disferir um remate forte e colocado de fora da área que apenas parou no fundo das redes.

Depois, sem que o Nacional reagisse, Galeno acelerou pela esquerda e cruzou para o coração da área onde apareceu Iuri Medeiros a rematar de forma acrobática com o pé canhoto sem hipóteses para Daniel. 2-0 para o Sp. Braga ao intervalo, vantagem preciosa depois de uma primeira metade em que ninguém deslumbrou.

Marcador encravado

Apostado a entrar forte na segunda metade, para responder à desvantagem, o Nacional ficou-se pelas intenções e esbarrou num Sp. Braga aguerrido e a procurar com afinco o terceiro. Valeu o guarda-redes Daniel Guimarães por duas ocasiões a negar o golo, primeiro a Iuri Medeiros, depois a Paulinho.

Foi, de resto, o melhor momento do Sp. Braga, com os lances ofensivos a sair de forma avulsa com muito perigo, valendo, então, ao Nacional um Daniel inspirado na baliza a impedir que o marcador subisse para outros patamares. Parecia mesmo encravado o marcador e quando não estava lá Daniel os guerreiros falhavam o alvo. Que o diga Esgaio, que está no pior momento da noite ao falhar quando tinha a baliza escancarada.

Nuno Borges ainda deu um ar da sua graça ao Nacional, numa recarga certeira, a cinco minutos dos noventa, mas sem capacidade para colocar em causa a supremacia arsenalista.

Triunfo indiscutível do Sp. Braga em vésperas da estreia europeia. Os arsenalistas ficam a dever a si mesmos outro resultado, mais volumoso. Depois de um arranque em falso com duas derrotas, os guerreiros recuperam com dois triunfos antes receção AEK de Atenas, a contar para a Liga Europa. Primeira derrota do Nacional em ano de regresso à Liga.

Bruno José Ferreira / Estádio Municipal de Braga