Primeiro contra penúltimo. Jogo de um só sentido, ditará a lógica, mas o futebol é também fértil em imponderáveis. Não o foi, contudo, porque o FC Porto acabou por ser superior e teve em Tiquinho Soares o acerto necessário para resgatar os três pontos em Chaves. Hat-trick do brasileiro, 4-1 no marcador, vitória na bagagem do dragão.

Estádio quase cheio, mesmo com muito frio. E mote lançado para um bom jogo de futebol no Estádio Municipal Engº. Manuel Branco Teixeira. No final, ganhou quem tem vindo a evidenciar superioridade na Liga. O Desp. Chaves continua lá no fundo e pode acabar a jornada sozinho como último.

Foi um início de parada e resposta, com equilíbrio, mas algum atrevimento por parte do Desp. Chaves, que dispôs de duas oportunidades, aos 13 e 19 minutos, primeiro por Luther e depois por William, perante um Casillas com pouco trabalho, porém atento.

O equilíbrio começou a esbater-se a partir dos 20 minutos, quando os comandados de Sérgio Conceição deram velocidade ao jogo. Aos 24 minutos, Soares começou um bailado de sonho, ao inaugurar o marcador, a toque de Marega na sequência de um canto de Alex Telles.

Os transmontanos responderam de pronto e só não empatou aos 27 minutos, porque André Luís não deu direção a um cabeceamento. Dez minutos volvidos, Casillas fez tudo bem, com um voo para impedir o empate, numa jogada do sempre irrequieto Luther Singh. Mas a dupla Marega-Soares apresentou-se letal e voltou a fazer estragos, com o segundo golo, em cima do intervalo.

Desp. Chaves-FC Porto: os destaques do jogo

O período complementar trouxe um FC Porto mais seguro, controlador do jogo. Dono e senhor. Quase só se jogava no meio campo defensivo flaviense. A equipa de Tiago Fernandes ia sustendo como podia as investidas forasteiras.

Nesta toada ofensiva, não foi estranho o terceiro golo. Mais uma vez, o grande protagonista: Tiquinho Soares a completar o hat-trick, desta vez a passe de Corona, após uma bola soberba de Herrera para a área.

Aos 76 minutos, o Chaves ainda deu um ar da sua graça, marcando o golo de honra, de uma grande penalidade. Bruno Gallo converteu, após um lance em que Pepe fez falta sobre William.

Os portistas não pareceram afetados com este golo, até porque o jogo já se encaminhava para o fim. A diferença no marcador era relativamente confortável. Mas ainda deu para dissipar quaisquer dúvidas. Fernando, após bola longa para as costas da defensiva do Chaves, picou sobre António Filipe e Nuno André Coelho, pressionado pelo ex-Santa Clara, fez autogolo (87’).

Passeou assim classe a equipa portista, num campo tradicionalmente complicado para os grandes. O Chaves não teve os argumentos necessários para contrariar o ascendente que o Porto apresenta nesta fase. Vitória sem contestação, que permite à equipa portista continuar isolada no topo da tabela.

António Ramos / Estádio Municipal Eng. Manuel Branco Teixeira, Chaves