Sofrer, sofre e sair a festejar! O Boavista foi a Barcelos vencer o Gil Vicente e fez o xeque-mate na manutenção. Jesualdo Ferreira conseguiu, à última jornada, o objetivo de manter a formação boavisteira na I Liga. Yusupha foi o herói ao saltar do banco para marcar os dois golos do triunfo axadrezado.

Os gilistas, já com a manutenção assegurada, estiveram quase sempre por cima do jogo, estiveram em vantagem, mas, depois de desperdiçar uma grande penalidade, acabaram por permitir a viragem. Os galos terminam a temporada na 11.ª posição, com 39 pontos.

O Gil Vicente entrou melhor no jogo. Ricardo Soares não fez qualquer poupança na equipa e fez apenas uma alteração no onze inicial. Samuel Lino rendeu Lourency no lado direito do ataque. Jesualdo Ferreira também fez apenas duas mudanças: saíram Chidozie e Sebastián Pérez e entraram Devenish e Show.

A titularidade de Samuel Lino deu frutos. O avançado brasileiro ameaçou por duas vezes e à terceira marcou. Já dentro da área, partiu os rins a Devenish e foi carregado em falta. Na conversão, o melhor marcador dos galos, com nove golos, atirou para o lado contrário do guarda-redes boavisteiro e abriu o ativo.

Os axadrezados, que precisavam de vencer para garantir a manutenção sem esperar pelo resultado de terceiros, não mostravam poder ofensivo e quase não incomodavam o guardião Denis. Fora do estádio, no topo norte, cerca de meia centena de adeptos entoavam cânticos de apoio à equipa, mas os festejos foram maiores quando o Farense – que jogava frente ao Santa Clara – sofreu golo.

Até ao descanso, voltaram a ser os gilistas a ficar perto do golo. Léautey pegou no esférico junto à linha, puxou para o meio e à entrada da área disparou forte para excelente defesa de Léo Jardim! Ainda antes do descanso, o Boavista teve mais uma contrariedade com a lesão de Angel Gomes, substituído por Yusupha.

Viragem axadrezada

Os gilistas voltaram a entrar melhor e ficaram por duas vezes perto do golo. Primeiro foi Samuel Lino, num remate em jeito, a obrigar Léo Jardim a mais uma boa defesa. Pouco depois, Pedrinho com um passe delicioso isola Pedro Maques que remata à meia volta rente ao poste.

Na resposta, o Boavista foi letal. Elis tira cruzamento da direita e Yusupha, no coração da área, cabeceia para o fundo das redes. Estava feito o empate, com grande festa dos axadrezados dentro e fora das do estádio. Com os pés dentro das quatro linhas, mas com a cabeça noutros estádios, as notícias dos outros jogos eram favoráveis às panteras.

Indiferente à luta pela manutenção continuava o Gil Vicente e continuava a carregar sobre os boavisteiros. E podiam ter voltado para a frente do marcador. Rami carregou na área Pedro Marques e Fábio Veríssimo, depois de rever o lance, assinalou grande penalidade. No entanto, Samuel Lino, na conversão, acertou com estrondo no poste e desperdiçou uma excelente oportunidade.

O golpe de teatro aconteceu a dois minutos do fim. O árbitro da partida voltou a ir ao vídeo-árbitro rever um lance entre Rúben Fernandes e Paulinho e assinalou mais um penálti. Yusupha ficou com a responsabilidade de garantir a manutenção boavisteira e não falhou. Sofrimento até ao apito final. Depois, festa rija com direito a fogo de artifício e tudo!

Nuno Dantas / Estádio Cidade de Barcelos