A noite começou fria, mas o Tondela quis aquecer as coisas bem cedo. Os auriverdes entraram de cara lavada nesta nova temporada e desde cedo que quiseram mostrar aquilo que vinham. Ricardo Alves fez de cabeça o 1-0 logo no início, mas o Rio Ave empatou pelo estreante Meshino já no período de descontos. Empate a uma bola entre duas equipas competentes (veja a FICHA de JOGO).

A equipa comandada por Pako Ayestaran entrou em jogo a demonstrar que queria ser a primeira a entrar no marcador e prova disso foi o bloco alto e pressionante com que se apresentou nos primeiros minutos de jogo.

Contudo, a vontade desmedida de querer marcar ia acabando por sair caro ao Tondela, o feitiço ia virando-se contra o feiticeiro. Depois de um livre batido para a área do Rio Ave, a formação de Mário Silva conseguiu segurar a bola e arrancou num contra-ataque feroz rumo à baliza de Babacar Niasse.

Um passe a rasgar colocou Lucas Piazón isolado para o guardião do Tondela, que acabou por sair sem pensar da baliza e acabou por cometer um deslize que deixou o avançado do Rio Ave com a tudo para fazer golo. Piazón, porém, foi apanhado em excesso de velocidade o que lhe valeu um fora de jogo e um golo anulado.

Depois deste susto, o Tondela não se mostrou abalado e continuou com a mesma entrega. Insistiu, persistiu e foi conseguindo encostar o Rio Ave às cordas, ora por Salvador Agra, ora por Bebeto. Os dois reforços dos beirões para esta temporada disseram presente e mostram-se como peças fundamentais para alavancar o jogo tondelense.

Depois de algumas tentativas, foi o capitão da armada beirã quem tomou o leme e levou o Tondela a bom porto. Depois de um cruzamento tenso de Salvador Agra, Ricardo Alves não desiludiu e com um autêntico míssil de cabeça, colocou a bola no fundo das redes de Kieszek.

Foi pelos flancos que o Tondela foi criando perigo. Na primeira parte foram muitas as vezes que Salvador Agra, com um misto de rapidez e agilidade, furou por várias vezes a muralha defensiva dos vilacondenses. Também Bebeto fez uma estreia de sonho, que culminou numa noite de enorme qualidade, consistência e, acima de tudo, segurança.

O Rio Ave entrou em campo com um 11 inicial composto por jogadores que transitaram da época passada, mas nem isso serviu para dar brilho a uma noite apagada da formação de Vila do Conde.

Ainda antes do apito para o final da primeira metade, Jambor, através de um livre direto, lançou uma bomba na direção da baliza de Niasse, que acabou por esbarrar na barra e acabar por não passar de um susto.

O intervalo fez bem à formação do Rio Ave que voltou para dentro das quatro linhas com mais vontade de chegar ao golo e, através de várias bolas batidas para o coração da área tondelense, foi criando momentos de algum suspense no Estádio João Cardoso. Já o Tondela mantinha um ADN agressivo e com apenas uma coisa na mente: três pontos.

Apesar de Niasse não estar a ter dos melhores dias entre os postes no início do encontro, foi conseguindo responder às várias investidas do Rio Ave e voltou a mostrar o guardião que não tremeu frente ao FC Porto, no final da época passada. Negou o golo de livre a Diego Lopes e, logo a seguir, um golo cantado a Tarantini na sequência de um pontapé de canto batido para o primeiro poste.

A segunda metade do encontro ainda contou com a intervenção do VAR, que acabou por negar uma grande penalidade ao Rio Ave. Poderia este ser o ponto de viragem do encontro, mas não passou de mais outro susto para a equipa beirã.

Apesar da boa exibição, Salvador Agra não teve a maior das sortes no encontro e acabou por sair lesionado do encontro. Para o seu lugar entrou Rafael Barbosa, outro reforço do Tondela para esta temporada, que no primeiro toque na bola fez um remate com algum perigo.

«Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar». Pako Ayestaran não arriscou e a seis minutos dos 90, optou por colocar Jota dentro de campo, de modo a jogar com cinco defesas. Uma amostra clara que o técnico espanhol queria segurar os três pontos a todo o custo.

Contudo, os planos acabaram por sair furados ao treinador espanhol e à sua equipa. Aos 93, Meshino, que tinha entrado para substituir Tarantini, aproveitou a assistência de Francisco Geraldes e fez o empate. Um autêntico balde de água fria no Estádio João Cardoso.

A vencer desde os 9 minutos, o Tondela não conseguiu segurar a vantagem e apenas um deslize bastou para que o Rio Ave chegasse à igualdade. Um autêntico amargo de boca para os auriverdes, que contrastava com a alegria dos vilacondenses que conseguiram pontuar no encontro.

Rafael Santos / no Estádio João Cardoso, em Tondela