Ferido no seu orgulho, apenas com uma vitória nos últimos três jogos (na Trofa a contar para a Taça de Portugal), o Benfica jogou a liderança da Liga em Vizela. Continuou a demonstrar dificuldades, foi forçado a sofrer e apenas conseguiu um analgésico para lá da hora, quando passavam oito minutos para lá dos noventa. Triunfo por uma bola a zero (0-1).

O resgate da liderança, que com o evoluir da jornada escapou aos encarnados, chegou apenas nos descontos de um jogo em que o Benfica dominou, mas não teve rumo. O conjunto de Jorge Jesus teve dificuldades para criar perigo e esbarrou num Vizela organizado.

Um Vizela com poucos triunfos, apenas um na Liga, mas a quem é difícil vencer. Comprovou-se. Os vizelenses vinham de cinco empates consecutivos no campeonato e apenas sucumbiram nos descontos na primeira vez que receberam o Benfica no seu estádio num jogo do principal campeonato do futebol português.

Suspiro encarnado: descarregar de energia, adrenalina no último fôlego. Apesar de dominar o Benfica esteve longe de deslumbrar e apenas a conquista dos três pontos consegue alegrar as hostes de uma equipa que foi a jogo em convalescença após o desastre na Liga dos Campeões.

Encarnados não encontraram o caminho

Disposto a fazer da deslocação a Vizela uma oportunidade para reparar a imagem desse embate na Champions, em que foi goleado pelo Bayern de Munique, o Benfica rapidamente vincou essa posição. Assumiu sem rodeios as rédeas do jogo, mas faltou encontrar o caminho.

Futebol curto, por vezes até demasiado rendilhado, a esbarrar constantemente na organização vizelense. Somaram-se as tentativas de invasão da área adversária, a floresta de pernas azuis ia sendo um obstáculo prático perante um Benfica que teimava em fazer dessa a única arma para tentar criar perigo.

Confortável no jogo ao anular o ataque encarnado, o Vizela ganhou confiança e conseguiu equivaler o adversário no que a aproximações à baliza adversária diz respeito. Teve mais bola o Benfica, jogou no meio campo adversário, mas de forma estéril, à exceção de um remate de Diogo Gonçalves na ressaca de um cruzamento.

Mesmo renegado durante muito tempo à sua defesa e ao controlo do espaço circunscrito à sua área, o conjunto de Álvaro Pacheco rubricou alguns lances ofensivos de realce, num dos quais forçando Vlachodimos a esbarrar a bola em Schettine.

Via rápida na direita sem destino até encontrar Rafa

Repetiu-se a dose na segunda metade: voltou a entrar forte o Benfica, fazendo do corredor direito o trilho preferencial e quase que exclusivo para armar o remate à baliza de Charles. Diogo Gonçalves foi o protagonista nesta fase a ir várias vezes à linha de fundo, com combinações interessantes. Rapidamente esse filão ficou esgotado com a falta de objetividade.

Resistiu o Vizela, igualou os pesos da balança e respirou, a meias com o empolgar dos seus adeptos. Um período a meio do segundo tempo para respirar, enchendo os pulmões de ar para fazer face ao assalto final encarnado. Um assalto já sem laterais e com extremos, com Nemanja e Éverton a ocupar os lugares de Diogo Gonçalves e Grimaldo.   

Foi-se aguentando o Vizela. Álvaro Pacheco esbracejou para a bancada, pediu apoio e gritou «falta pouco». O cronómetro avançou sem que o Benfica encontrasse o rumo desejado. Até que oito minutos para lá dos noventa o tal analgésico chegou.

Caprichosamente chegou pelo lado direito. Cruzamento de Pizzi a encontrar Rafa ao segundo poste, livre de marcação e pronto para empurrar para o fundo das redes num dos raros momentos de desconcentração vizelenese. Um analgésico para o Benfica, que segue líder mas a demonstrar debilidades. As quatro últimas prestações comprovam-no.

Bruno José Ferreira / Estádio do FC Vizela