O dia em que a velocidade e a execução dos pesos plumas derrubaram, por KO técnico e de conduta, os truculentos pesos pesados. Não se pode matar uma mosca com um canhão e não se pode ganhar um jogo só por ter mais músculos e quilos em campo. Vitória naturalíssima e a pecar por escassa de um Moreirense muito, muito interessante.

A expulsão de Jean Irmer, um dos guerreiros mais fanáticos da irmandade de Lito Vidigal, acabou por criar mais espaço e facilitar a vida aos sprinters Felipe Pires, Walterson e companhia. Nessa altura, os minhotos já venciam por 1-0 [remate de Pires e autogolo de Fábio China], mas o jogo ainda estava indefinido, complicado de ler.

FICHA DE JOGO E NOTAS

Depois, sim. Irmer saiu e o Moreirense teve as condições perfeitas para espalhar o perfume de Filipe Soares e Pedro Nuno, dupla absolutamente fundamental na conquista destes três pontos. O 2-0, em cima do intervalo, é de resto o resumo perfeito do jogo. Perda do Marítimo, transição conduzida pela competência do pé direito de Filipe Soares, abertura na direita e cruzamento de Felipe Pires para a finalização simples de Pedro Nuno.

Lito Vidigal fez duas substituições antes do intervalo [Joel Tagueu e Fumu Tamuzo lançados], tentou mexer com o jogo, mas a sua equipa esteve sempre muito mais perto de sofrer o 3-0 (e o 4-0 e o 5-0) do que reentrar na discussão do jogo.

Isso só aconteceu ao minuto 90, quando Zainadine aproveitou uma bola parada e cabeceou para a baliza de Pasinato. O futebol é assim mesmo. Felipe Pires, Pedro Nuno, Galego, todos perderam a ocasião de fechar o jogo – muito por mérito de Amir – e perto do fim o Moreirense passou de uma posição de conforto para uma de absoluto sofrimento.

DESTAQUES DO JOGO: Filipe Soares, bem acompanhado

Nessa fase do risco total, o poder físico dos pesos pesados de Lito fez mossa, empurrou os minhotos e até podia ter agarrado um ponto. As bolas paradas incomodaram a defesa do Moreirense e o guarda-redes Pasinato e o jogo acabou, precisamente, com o brasileiro a encaixar um pontapé de livre direto de Lucas Áfrico.

O Moreirense foi muito melhor e pecou apenas na incapacidade de fazer o 3-0. Teve condições objetivas para isso, foi adiando esse sossego e acabou de coração nas mãos. Os pesos plumas do Minho fizeram por merecer os três pontos e trepar às costas dos adversários desta tarde na classificação.

Oito pontos para os axadrezados, seis para os insulares. A equipa de Lito Vidigal venceu no Dragão e não voltou a pontuar. A teoria da agressividade não é aplicável em todos os contextos.  

VÍDEO: as images dos melhores momentos

Pedro Jorge da Cunha / no Estádio Comendador Joaquim Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos