Valeu o 22.º jogo consecutivo sem perder em casa, que vem vendo sendo chamada de 'fortaleza'.

O Marítimo manteve este domingo o estatuto de invencibilidade que já dura há um ano e dois meses, mas teve de sofrer muito para somar um ponto frente a um Estoril muito personalizado que regressa ao continente com a sensação de que deixou fugir uma vitória merecida.

Os madeirenses deverão ter realizado a pior exibição da época no seu estádio: dois remates (apenas um enquadrado) ilustram a fraca produção ofensiva dos verde-rubros.

No regresso à I Liga e à sua terra, a equipa agora treinada pelo madeirense Ivo Vieira fez tudo por merecer melhor sorte. Os canarinhos remataram muito, mas revelaram-se muito perdulários na hora de atirar a contar.

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O Marítimo de Daniel Ramos subiu ao relvado com o seu onze habitual e também com o mesmo esquema tático, assente na cedência intencional da iniciativa ao adversário e com clara aposta nas transições rápidas para chegar ao golo.

Do outro lado, Ivo Vieira operou, como esperado, muitas alterações em relação à última partida do campeonato (derrota em casa contra o Rio Ave, por 2-0) e que precipitou o ‘salto’ do técnico madeirense para o comando da equipa da Linha, por troca do Pedro Emanuel.

As alterações surtiram o efeito desejado nos primeiros 45 minutos, já que o Estoril, com uma exibição muito personalizada e segura, surpreendeu o Marítimo em quase todos os capítulos do jogo. Os ‘canarinhos’ não só produziram mais futebol e lances para golo, como também exerceram um domínio claro no capítulo da posse de bola.

Quando chegou o apito para o descanso, dominava a sensação de o Estoril estar a jogar em casa. O Marítimo não conseguia fazer o seu jogo ‘matreiro’, já que o Estoril, com a lição bem estudada, tapava bem os espaços e pressionava logo a primeira fase de construção dos madeirenses quando voltavam a ter o esférico.

O primeiro remate enquadrado à baliza de Moreira chegou aos 44 minutos, mas sem força para incomodar. Já o Estoril, foi para o intervalo com pelo menos três grandes oportunidades para desfeitear o guardião Charles.

Entre os 15’ e os 20’, Kléber rematou ao lado quando tinha tudo para fazer melhor, já que surgiu sem grande oposição em zona frontal. E, aos 37’, um disparo fortíssimo de Lucas Evangelista ‘beijou’ a trave.

Resumindo, a equipa Linha só podia queixar-se de si própria por ter ido empatada para o descanso.

Com tudo em aberto em termos de resultado, as expetativas para o reatamento incidiam sobretudo no que poderia vir a fazer Daniel Ramos para alterar a péssima imagem deixada no primeiro tempo. Reentraram em campo os mesmos ‘onzes’, mas após uns 15 minutos que deixaram antever que o jogo ia ser disputado taco a taco, o Estoril voltou a comandar sozinho as operações.

Confiante, Ivo Vieira até foi o primeiro a mexer, fazendo sair André Claro para entrada de Eduardo. O técnico estorilista queria mais rapidez na circulação de bola, e André já tinha deixado claro no primeiro tempo que não estava à altura para contribuir em prol da equipa nesse aspeto.

Daniel Ramos respondeu pouco tempo depois, tirando o apagado ‘capitão’ Edgar Costa para lançar o possante Everton, e depois Jean Cléber por troca com Filipe Oliveira.

Aos 70’, Charles evitou com uma enorme defesa que Eduardo desfizesse o empate.

Apesar das alterações, o Estoril continuou dono e senhor do jogo. É certo que não criou tantas oportunidades para marcar como no primeiro tempo, mas tendo em conta o que fez nesse período e no complementar, os três pontos deviam ter viajado para a Linha.

Raul Caires / Estádio dos Barreiros, no Funchal