Figura: Díaz

Absolutamente decisivo. O «cafetero» foi, de longe, o melhor elemento do FC Porto. Díaz deu a irreverência necessária, a velocidade que se pedia e teve a frieza exigida em cada momento. Notou-se que estava livre e, sobretudo, confiante. Além de passes a rasgar, «pedaladas» pela lateral, o internacional colombiano surgiu várias vezes no corredor central e não se deu mal. Estava perto de Corona - o outro extremo - quando Otávio recuperou e lhe entregou a bola. O resto foi fácil: tabela com o mexicano e bola para o fundo das redes do Famalicão. Díaz ainda ameaçou novo golo num remate de cabeça e deixou Uribe com tudo para o 2-0. Uma exibição em cheio.


Momento: Lionn dá mais um tiro no pé e vira as costas. Minuto 73

Após um erro crasso de Patrick ter permitido ao FC Porto chegar à vantagem, Lionn entregou praticamente a vitória. O lateral errou um passe, deixou a bola em Soares e virou costas por escassos segundos. O avançado brasileiro agradeceu a gentileza, galgou metros, rematou contra Pérez, ganhou o ressalto e atirou para o 2-0 depois de driblar Defendi.


Outros destaques:


Otávio: muitas vezes deslocado para o corredor, o brasileiro provou que é no meio que mais pode render. Otávio foi fundamental na pressão alta e na ocupação dos espaços, dobrando várias vezes Uribe e Danilo. Notável a forma como antecipou o passe de Patrick e deixou Díaz com caminho livre para atacar a baliza contrário no lance do 1-0. Foi o complemento ideal aos habituais titulares no setor intermédio.

Fábio Silva: Soares merecia igualmente o destaque pelo que fez. No entanto, o jovem internacional sub-19 tem de ter umas linhas só para ele. Raramente joga mais que dez/15  minutos na Liga ou na Liga Europa e ainda assim, entra com uma vontade tremenda. Prova disso foi o lance que resultou no primeiro golo pelo FC Porto no Dragão: pressionou Lionn, pressionou Defendi, ganhou a bola e foi feliz. Acabou com os adeptos a entoarem o seu nome. Para mais tarde recordar, sem dúvida.

Defendi: estava a ser o melhor elemento do Famalicão. Somou duas intervenções sensacionais na primeira metade, impedindo que o FC Porto materializasse a forte entrada no jogo. Ainda que tenha ficado isento de culpas nos dois primeiros golos, o guarda-redes brasileiro borrou a pintura em cima do apito final: complicou, perdeu a bola na área e ofereceu o 3-0 a Fábio Silva.

Patrick: não tem a classe de Pérez. O defesa acumulou erros na primeira fase de construção, teve um par de entradas agressivas e nunca recuperou verdadeiramente do erro cometido no golo inaugural do FC Porto. 

Gustavo Assunção: basta vê-lo jogar para perceber que é filho de Paulo Assunção. O modus operandi é semelhante como mostrou no Dragão: sóbrio, discreto e silencioso. Foi o melhor do triângulo do meio-campo do Famalicão. O jovem médio somou desarmes importantes e foi quem mais vezes assumiu a saída de bola a partir de trás. Uma exibição corajosa.

Vítor Maia / Estádio do Dragão, Porto