O Sporting sobreviveu a uma das exibições mais inseguras da época e garantiu que vai passar o ano na liderança isolada da Liga.

A vitória por 2-1 sobre o Belenenses no Jamor foi arrancada a ferros e o leão precisou de ter na baliza no seu melhor elemento para segurar os três pontos frente a uma equipa da «casa» que até dispôs de mais ocasiões de golo do que os homens de Ruben Amorim.

Com duas alterações no onze em relação ao último jogo (Gonçalo Inácio e Tabata), os leões adiantaram-se no marcador logo aos 5 minutos por Tiago Tomás.

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O golo madrugador poderia ser a âncora para uma noite tranquila, mas o Belenenses vendeu cara a derrota e colocou à vista, como poucas equipas o haviam feito até agora em 2020/21, as imperfeições do líder.

«Estudámos o Sporting e sabemos o que temos de fazer dentro do campo.»

Vale a pena recordar a deixa de Petit na véspera do jogo. Privados de Henrique, pilar da defesa, os azuis foram inseguros na defesa, mas destemidos no ataque e mereciam outro desfecho.

Encararam o leão olhos nos olhos, chegaram ao empate por Miguel Cardoso antes do quarto de hora e desperdiçaram pouco depois um penálti que lhes daria a vantagem.

Com Gonçalo Inácio no lugar do lesionado Feddal, a defesa do Sporting teve muitos problemas para controlar a profundidade dos azuis, que exploravam as costas do setor mais recuado dos leões através de jogo direto ou em construção.

Mas não foi só pelo lado do jovem central que o leão tremeu. Também do lado de Neto a equipa mostrou-se demasiado errática e precisou de socorrer-se da inspiração de Adán para segurar os três pontos, sobretudo quando Afonso Sousa e Miguel Cardoso, ambos na primeira parte, lhe apareceram na cara.

Ainda que muito competente no plano ofensivo, o Belenenses também acumulou erros defensivos. Foi assim, por exemplo, que o Sporting chegou ao 2-1. Tiago Tomás (o melhor da equipa de Amorim a seguir a Adán) galgou metros e acabou carregado na área dos azuis. Penálti que João Mário converteu.

Na segunda parte, o jogo baixou de ritmo por culpa do Sporting, que baixou linhas e apostou naquilo que havia falhado em toda a linha nos 45 minutos iniciais: segurança defensiva.

A equipa de Petit continuou a ser mais atrevida, mas o relvado (cada vez em pior estado) e o maior conservadorismo dos visitantes impediram-na de repetir a receita da primeira parte.

Aos 75 minutos, o Belenenses ficou reduzido a dez por expulsão de Tomás Ribeiro, mas nem aí o Sporting, com muitas unidades desinspiradas (Pedro Gonçalves muito apagado), se libertou para sentenciar o jogo.

O Sporting vira o ano na liderança, mas muito longe da sua melhor versão, com momentos de pânico e a dar razão ao pragmatismo de Ruben Amorim, que continua sem assumir a candidatura ao título.

David Marques / Estádio Nacional, Oeiras