O Sporting arrancou neste domingo a vitória mais robusta de 2018/19. Ainda nem tudo são rosas no reino do leão, mas o 3-0 com que (a)bateu uma pantera curta e pouco ambiciosa em Alvalade atestam uma exibição autoritária e bem mais personalizada do que a esmagadora maioria das que acumulou nos primeiros dois meses em meio da época.

Mais de um mês depois do último jogo, Jérémy Mathieu voltou ao onze de José Peseiro, que apostou num alinhamento mais ofensivo do que na quinta-feira passada diante do Arsenal. O técnico dos leões descongestionou o meio-campo, puxou Bruno Fernandes para a zona de conforto e apostou no maliano Diaby de início.

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O Sporting entrou pujante no jogo, sobretudo a fazer funcionar o corredor esquerdo, mas sem o controlo absoluto. Nos primeiros 15 minutos, a equipa de Jorge Simão ainda conseguiu ensaiar situações de perigo e esteve por duas vezes perto do golo: na primeira, Mateus atirou ao ferro esquerdo da baliza de Renan e depois foi Rochinha a ameaçar.

A boa réplica dos axadrezados ficou-se pelo primeiro quarto de hora, espaço temporal manifestamente curto para quem procura ser feliz em casa de um grande.

O Sporting, que já tinha mais bola e tempo de jogo no meio-campo contrário, corrigiu posicionamentos e partiu para uma partida tranquila, tendencialmente instalado no meio-campo contrário e salpicado de boas ações ofensivas.

Neris, com uma série de cortes importantes, foi adiando o golo que o Sporting já começava a justificar e que chegou por intermédio de Nani. Não deixa de ser irónico que foi pelo jogo aéreo – onde os leões, sem Bas Dost, têm poucas soluções válidas em lances de bola corrida – que ele surgiu, após centro de Montero da esquerda.

A supremacia da equipa de Peseiro já era acentuada antes do golo e acentuou-se depois dele. Do atrevimento inicial, o Boavista começou a capitular o setor mais recuado e perdeu a capacidade para chegar à frente no contra-ataque.

Exasperado, Jorge Simão nem esperou pelo intervalo para trocar uma peça no xadrez: lançou Rafael Costa para o lugar do capitão Idris, mas o melhor que o médio conseguiu foi assustar na cobrança de um livre a abrir a segunda parte.

O desequilíbrio manteve-se na etapa complementar, onde o Sporting foi dono e senhor de um tabuleiro onde foi triturando peça atrás de peça e apresentou possivelmente a melhor face de 2018/19.

Minutos depois de atirar ao ferro de livre, Bruno Fernandes fez o 2-0 aos 64’ e Nani assinou o xeque-mate logo de seguida.

Viam-se laivos de rolo compressor em Alvalade e o tribunal exigente de Alvalade aprovava, como aprovou a exibição de Diaby, que assinou um passe para golo e um par de arrancadas diabólicas pelo corredor direito.

Sem norte, o Boavista arriscou deixar Alvalade com uma derrota ainda mais pesada e bem pode agradecer a Helton Leite, com algumas boas paradas que atenuaram as desatenções dos companheiros. Bas Dost, que somou alguns minutos no regresso à competição após dois meses de paragem, também esteve perto do golo.

Noite quase perfeita de um leão ainda à procura do melhor dos processos mas que neste domingo mostrou a sua melhor face da época diante de uma pantera demasiado fácil de domar.

David Marques / Estádio José Alvalade, Lisboa