Nada melhor que noite das Bruxas para espantar fantasmas.

O Boavista afastou os fantasmas do pontinho - somou por empates os últimos quatro jogos - e bateu o pé ao Sporting de Braga, voltando aos triunfos (2-0) com golos de Mateus e Rafael Costa.

A Pantera entrou de garras afiadas e chegou a um golo madrugador. Na sequência de um belo desenho coletivo entre Sauer e Carraça, o lateral (que esta noite foi médio-ala no esquema 3x4x3) serviu Rafael Costa para o 1-0.

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O golo do Boavista surgiu como um despertador para a equipa minhota. O Sporting de Braga parecia aquele tipo que tem todo o tempo do mundo para chegar a um compromisso, mas que quando olha para as horas já está atrasado. E nunca foi capaz de corrigir o atraso.

Apenas ao quarto de hora de jogo, os bracarenses fizeram sentir a sua presença com um remate de Rui Fonte.

Ligeiramente acomodado à vantagem, o conjunto de Lito – que não esteve no banco por castigo – recuou no terreno e concedeu toda a iniciativa à equipa contrária. No fundo, fechou os caminhos para a baliza de Bracali e espreitou o contra-ataque. Uma postura várias vezes vista esta época, diga-se.

Após duas investidas tímidas a somar à de Fonte, Bracali roubou a bola dos pés de Fransérgio quando este seguia isolado. A melhor oportunidade do Sporting de Braga na primeira metade teve assinatura de Wallace: o central fugiu à marcação e desviou o canto de Horta por cima.

Pelo meio, é justo reconhecer, o Boavista esteve perto de praticamente sentenciar o jogo. Uma vez na sequência de um lance de bola parada, outra num contra-ataque. Não poderia ser de outra forma, aliás. Obiora e Yusupha foram os autores das finalizações e por pouco não foram felizes (31m e 38m).

A segunda parte foi diferente por vários motivos. O Sporting de Braga remediou a falta de imaginação da primeira parte enquanto o Boavista abdicou de atacar durante vinte minutos. Porém, nos quinze minutos finais, os axadrezados tiveram situações quanto baste para chegarem ao golo da tranquilidade.

Só chegaram ao 2-0 na compensação e até lá acabaram por sofrer. Os minhotos jogaram mais e melhor e por isso mesmo, criaram situações para igualar. Com um remate na passada, Wilson Eduardo assustou Bracali (58m).

A boia de salvação do Boavista tinha um nome: Ricardo Costa. O internacional português fez uma exibição impressionante – evitou um golo certo a Wilson, tirou uma bola da cabeça de Paulinho – e conservou a vantagem da Pantera. Quando não foi o defesa a evidenciar-se, valeu Bracali. Foi assim, por exemplo, no remate de Novais (67m).

Sá Pinto fez o que lhe competia e arriscou: colocou Galeno, Paulinho e Horta e o Sporting de Braga passou a jogar com dois avançados. A equipa acabou por ficar mais exposta e o Boavista aproveitou. Tardou, mas aproveitou. Após Carraça e Obiora terem desperdiçado dois passes açucarados de Mateus, o angolano decidiu ser ele próprio a resolver: deu um «nó cego» em Palhinha e fez o 2-0.

Um resultado demasiado pesado para os bracarenses, ainda que justo.

O Boavista continua como a única equipa invicta na Liga, afastou os fantasmas dos empates (vinha de quatro seguidos) e travou a série de cinco vitórias do Sp. Braga.
 

Vítor Maia / Estádio do Bessa, Porto